O perigo oculto: por que o consumo de tabaco em pequenas quantidades destrói o seu corpo
Especialistas explicam os impactos do tabagismo no organismo e revelam como o corpo reage após a interrupção do vício em cigarros e vapes
A ideia de que fumar poucos cigarros por dia reduz os impactos no organismo é um mito. A pneumologista Carolina Salim, da Clínica de Doenças Respiratórias Avançadas, esclarece que não existe quantidade segura para o consumo de tabaco. A médica destaca que a gravidade dos danos está ligada ao tempo de exposição às toxinas. “Por isso, fumar “pouco”, mas por muitos anos, não deve ser visto como hábito inofensivo.” explica a especialista.
Os benefícios de abandonar o tabagismo começam rapidamente pelo sistema cardiovascular. O médico Helano Freitas, do A.C. Camargo Cancer Center, detalha a recuperação. “No pulmão, parar de fumar também interrompe a exposição contínua ao fator de agressão. No entanto, danos já estabelecidos, como enfisema severo, podem não ser revertidos . Nesses casos, parar de fumar ajuda a evitar piora”, alerta o médico. Após 15 anos de abstenção, a probabilidade de tumores se iguala à de não fumantes.
Riscos do consumo de tabaco passivo alertados pelo órgão CDC
Os prejuízos afetam também os não fumantes. O CDC aponta que a exposição passiva eleva em 30% a chance de doenças pulmonares. Carolina Salim reforça o perigo. “A intensidade do risco depende do tempo de exposição, da proximidade com a pessoa que fuma e do ambiente” , afirma. Sobre os vapes, Freitas adverte que o vapor deposita toxinas no sangue. “Muitos compostos presentes nesses produtos variam conforme o dispositivo e o líquido utilizado. Já há evidências de lesões agudas nas vias aéreas associadas ao uso de cigarro eletrônico”, alerta.
Sintomas do consumo de tabaco e rastreio indicado por Carolina Salim
Para auxiliar na interrupção, o Instituto Nacional de Câncer recomenda definir uma data para o corte definitivo. O protocolo inclui eliminar cinzeiros e evitar locais associados à prática. A atividade física é indicada para liberar hormônios que auxiliam no controle da tensão emocional gerada pela abstinência. O acompanhamento psicológico atua como suporte durante a transição, ajudando o indivíduo a manter a persistência diante de recaídas.
Indivíduos com histórico de tabagismo precisam monitorar sinais como tosse persistente, dor torácica e perda de peso. A avaliação médica é indispensável diante desses sintomas. A recomendação estabelece que pessoas acima de 50 anos, com carga tabágica elevada, realizem exames anuais de rastreamento por tomografia. A fumaça distribui compostos nocivos pelos órgãos, confirmando que a única taxa inofensiva é zero.



