Saúde & Bem-estar

Casos de violência sexual na infância crescem 204% em dez anos com maioria de vítimas meninas

Dados do Ministério da Justiça mostram aumento de registros em dez anos, impulsionados pelo ambiente digital e grupos extremistas

Os registros de violência sexual na infância triplicaram no Brasil na última década, segundo o Ministério da Justiça. Em 2025, o país contabilizou 59.366 ocorrências contra vulneráveis, um aumento de 204,5% ante os 19.496 episódios de 2015. A média é de 121 casos diários, com 84,7% das vítimas sendo meninas. Um episódio recente em Contagem, Minas Gerais, ilustra a estatística: uma adolescente sofreu violência sexual coletiva por colegas, levando a mãe a buscar atendimento médico e registrar boletim de ocorrência.

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O crescimento reflete a melhoria na identificação por profissionais de saúde e policiais, além de um aumento real das ocorrências. Campanhas reduziram a subnotificação de um fenômeno que, frequentemente, ocorre no ambiente doméstico e é praticado por pessoas próximas. Muitas vítimas silenciam por medo, indicando que os números reais podem ser ainda maiores do que os registrados oficialmente.

violência sexual na infância e os dados da FGV sobre redes sociais

O ambiente digital tem papel direto nesse cenário. Um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que grupos masculinistas cresceram mais de seiscentas vezes entre 2019 e 2025. Esse ecossistema expõe meninos a conteúdo adulto violento. Uma pesquisa do King’s College revelou que 61% dos rapazes da Geração Z acreditam que a igualdade de gênero “foi longe demais”, enquanto 34% consideram que esposas devem obediência aos maridos.

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A disseminação desses discursos reflete-se nas escolas. Em instituições particulares de São Paulo, foram identificados grupos de mensagens com listas depreciativas sobre alunas e encenações de violência íntima. Em uma unidade pública, alunos são investigados por violência sexual coletiva contra um colega. O algoritmo das plataformas contribui para a radicalização, normalizando a subjugação feminina.

como acionar o Conselho Tutelar e o SUS em casos de violência íntima

A prevenção exige diálogo familiar, ensinando as crianças sobre os limites do corpo. Diante de suspeitas, a orientação é acionar o Disque 100 ou o Conselho Tutelar. Caso ocorra uma revelação, os responsáveis devem buscar atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e registrar a ocorrência, preservando provas digitais. Especialistas recomendam resistir à pressão de “resolver em família”, garantindo que os agressores respondam legalmente.

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