O perigo oculto dos antidepressivos ISRS que os médicos prescrevem em apenas 15 minutos
Entenda como agem os inibidores seletivos de recaptação de serotonina e os debates sobre o tratamento de quadro emocional delicado
Os antidepressivos ISRS, conhecidos cientificamente como inibidores seletivos de recaptação de serotonina, figuram entre os medicamentos psiquiátricos mais receitados globalmente. Fármacos como Prozac e Zoloft são administrados frequentemente para tratar transtornos de tensão emocional e quadro emocional delicado. No entanto, pesquisadores da área de saúde mental debatem a quantidade de prescrições atuais, apontando que a facilidade de acesso a essas substâncias pode mascarar a necessidade de abordagens terapêuticas mais amplas.
O professor emérito de psiquiatria da Universidade Duke, Allen Frances, argumenta que a dinâmica dos atendimentos médicos modernos contribui para esse cenário. Segundo o especialista, muitos profissionais receitam os remédios rapidamente para otimizar o tempo no consultório. “Oitenta por cento dos antidepressivos nos EUA são prescritos de forma descuidada por clínicos gerais apressados, como uma forma fácil de atender pacientes em 15 minutos”, afirma Frances, que também ressalta que: “Não existe uma pílula para cada problema psicológico e social”.
Como a serotonina age no cérebro segundo Carmine Pariante
A função principal desses medicamentos é bloquear a reabsorção da serotonina, elevando os níveis desse neurotransmissor responsável pela estabilidade do humor. O professor Carmine Pariante, do King’s College de Londres, defende a eficácia do tratamento para pacientes com diagnóstico clínico severo, onde os sintomas afetam diretamente a rotina. Em contrapartida, a professora Joanna Moncrieff, do University College London, questiona a teoria do desequilíbrio químico, afirmando que a psiquiatria popularizou a ideia da deficiência de serotonina sem comprovação definitiva.
Moncrieff alerta para os riscos associados ao uso contínuo, sugerindo que parte da eficácia relatada pelos pacientes pode derivar do efeito placebo. A pesquisadora destaca que os efeitos adversos englobam disfunções sexuais, ganho de peso e dependência. “São medicamentos que interferem na química do cérebro e em outros sistemas biológicos”, adverte a professora, concluindo que a comunidade médica deveria repensar a quantidade de receitas emitidas e defende: “Devemos realmente minimizar seu uso o máximo possível”.
Consenso médico sobre o tempo de uso dos antidepressivos ISRS
Apesar das divergências sobre a origem biológica do quadro emocional delicado, existe uma concordância entre os especialistas quanto à duração do tratamento. Profissionais como Pariante orientam que, quando os fármacos apresentam resultados positivos, a administração não deve ocorrer de maneira indefinida. A recomendação padrão envolve a manutenção da dosagem por um período que varia de seis meses a um ano após a melhora dos sintomas, seguido por uma redução gradual até a suspensão completa, evitando que o paciente dependa da medicação por toda a vida.



