O trauma invisível que os filhos de socorristas do 11 de setembro carregam até hoje
Pesquisa da Universidade Columbia avaliou a saúde mental de descendentes de trabalhadores que atuaram nos resgates do World Trade Center
Um estudo do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York e da Universidade Columbia indicou que as famílias dos socorristas do 11 de setembro continuam lidando com os desdobramentos psicológicos do evento de 2001. A pesquisa, divulgada na publicação científica PLOS Mental Health, demonstrou que os efeitos alcançam os filhos dos trabalhadores que participaram das operações no World Trade Center. Os dados reforçam a perspectiva de que traumas extremos podem atravessar gerações.
Os especialistas avaliaram 176 profissionais diagnosticados com Transtorno de Estresse Pós-Traumático após os ataques e 270 de seus filhos adultos. O grupo englobou policiais, bombeiros e trabalhadores civis que atuaram na remoção dos escombros. Pais e descendentes responderam a questionários sobre histórico familiar, consumo de álcool e sintomas de pânico, quadro emocional delicado e tensão emocional.
Saúde mental dos filhos de socorristas do World Trade Center
Os indicadores apontaram que filhos de socorristas com sintomas mais severos de estresse pós-traumático apresentaram piores avaliações psicológicas. O documento constatou que mais de 20% dos filhos preencheram critérios para quadro emocional delicado, enquanto mais de um quarto demonstrou sinais de tensão emocional. O transtorno associado ao uso de álcool também registrou frequência maior entre os descendentes do que entre os próprios trabalhadores.
O nível de exposição dos pais ao cenário do atentado exerceu influência direta nos índices da geração seguinte. Profissionais que permaneceram mais tempo na área ou tiveram contato com os vestígios das vítimas registraram maior probabilidade de ter filhos com sintomas de pânico e tensão emocional. O estudo evidenciou que dinâmicas familiares com conflitos e baixo afeto tiveram correlação com taxas elevadas de problemas psicológicos.
Diferenças entre as famílias de socorristas na pesquisa da Universidade Columbia
A análise permitiu identificar variações dependendo da categoria profissional dos pais. Entre os filhos de trabalhadores civis de resgate e limpeza, a atuação dos genitores nos escombros estabeleceu associação com risco elevado de tensão emocional. Já nas famílias de policiais que integraram as equipes de emergência, vínculos familiares frágeis despontaram como o fator principal relacionado aos maiores índices de problemas com consumo de álcool pelos descendentes.



