Saúde & Bem-estar

Surto de ebola na África avança e especialistas apontam impacto de cortes de Trump

Variante Bundibugyo atinge a República Democrática do Congo e Uganda em meio a reduções de financiamento da USAid e saída dos Estados Unidos da OMS

A República Democrática do Congo e Uganda enfrentam um novo surto de ebola impulsionado pela variante Bundibugyo. Diferente da versão Zaire, que tirou a vida de milhares no passado, a atual mutação não possui vacinas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência internacional após registrar 900 infecções suspeitas e mais de 200 falecimentos. A estatística indica que um em cada três infectados falece.

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O avanço da doença ocorre simultaneamente a uma redução nos orçamentos humanitários, motivada por decisões de Donald Trump ao retornar ao cargo em 2025. Os Estados Unidos diminuíram os repasses para a saúde global, afetando a resposta rápida na África. A diretora do Comitê Internacional de Resgate, Heather Reoch Kerr, explicou o impacto local. “Os cortes de financiamento deixaram a região perigosamente exposta”, afirmou.

Impacto dos cortes de Trump no surto de ebola na África

Especialistas avaliam que a detecção tardia do patógeno está ligada ao fim do monitoramento. O pesquisador Matthew Kavanagh criticou as mudanças. “Quando se retiram bilhões da OMS e se desmantelam programas de linha de frente da USAid, corta-se exatamente o sistema de vigilância destinado a detectar esses vírus em estágio inicial”, declarou. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou sobre o cenário. “Estou profundamente preocupado com a dimensão e a velocidade da epidemia. Os números vão aumentar porque a resposta está sendo ampliada, incluindo melhor vigilância, rastreamento de contatos e testes laboratoriais”, pontuou.

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A agência USAid sofreu suspensões de repasses, enquanto o Departamento de Eficiência Governamental encerrou programas de combate à doença. O governo oficializou a saída dos Estados Unidos da OMS, retirando um aporte superior a 1,2 bilhão de dólares. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) registrou cancelamento de contratos, comprometendo o envio de equipes para as áreas afetadas.

Resposta dos Estados Unidos sobre o surto de ebola e a crise na OMS

O governo americano negou que as reformas financeiras tenham prejudicado o enfrentamento da crise. O Departamento de Estado anunciou o financiamento de 50 clínicas de tratamento no Congo e em Uganda. Paralelamente, o secretário de Estado, Marco Rubio, responsabilizou a OMS por uma suposta demora na identificação do problema. A liderança da agência reiterou sua função de suporte. “Nós não substituímos o trabalho dos países; apenas os apoiamos”, concluiu Tedros.

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