Saúde & Bem-estar

OMS registra 513 casos na epidemia de ebola no Congo e convoca reunião

Variante rara do vírus Bundibugyo já causou 131 falecimentos e testes falso-negativos atrasaram a contenção da doença.

O avanço da epidemia de ebola no Congo levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a convocar uma reunião emergencial. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou estar “profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia” no leste do país. Dados do Ministério da Saúde congolês indicam 513 casos suspeitos e 131 falecimentos associados à infecção, um aumento expressivo em relação aos relatórios anteriores divulgados pelas autoridades locais.

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A agência declarou emergência de saúde pública internacional devido às características do contágio. O vírus responsável é o Bundibugyo, uma cepa rara sem imunizantes ou tratamentos aprovados até o momento. A situação se agrava com o surgimento de pacientes em áreas urbanas, a intensa movimentação populacional e o falecimento de profissionais de saúde que atuavam na linha de frente do atendimento médico na região afetada.

Atraso no diagnóstico do surto de ebola em Bunia

O patógeno circulou de forma silenciosa durante semanas. O primeiro paciente que faleceu foi registrado em abril na cidade de Bunia, e o translado do corpo para a zona mineradora de Mongbwalu facilitou a disseminação. Testes iniciais deram falso-negativos para a cepa Zaire, atrasando a confirmação oficial. O diretor do Centro de Políticas e Política de Saúde Global da Universidade de Georgetown, Matthew Kavanagh, explicou: “Estamos correndo atrás do prejuízo contra um patógeno muito perigoso”.

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A infecção ultrapassou as fronteiras congolesas, com a confirmação de um caso e um falecimento em Uganda, envolvendo viajantes. Entre os infectados em Bunia, há um médico americano que trabalhava em um hospital local. A transmissão ocorre pelo contato direto com fluidos corporais, provocando sintomas severos como febre alta, dores musculares, fraqueza extrema, problemas gastrointestinais e sangramentos inexplicáveis nos pacientes.

Crise humanitária no Congo agrava avanço do vírus

O enfrentamento esbarra na crise humanitária do leste congolês, marcada pela presença de grupos armados e dificuldade de acesso a serviços básicos. Na província de Ituri, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima mais de 273 mil deslocados internos. O risco de contágio é alto durante os cuidados aos enfermos. Craig Spencer, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown e sobrevivente da infecção, resumiu: “O ebola é, em grande parte, uma doença de compaixão, porque afeta principalmente pessoas que cuidam dos doentes”.

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