Rússia e Ucrânia realizam troca de prisioneiros após acordo de cessar-fogo
Acordo mediado pelos Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos representa o primeiro passo para a repatriação de mil soldados de cada país
A troca de prisioneiros entre Rússia e Ucrânia libertou 410 militares nesta sexta-feira (15), sendo 205 de cada nação. A medida integra um acordo de cessar-fogo de três dias mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com apoio diplomático dos Emirados Árabes Unidos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a ação como a etapa inicial de um pacto mais amplo que prevê a repatriação futura de mil combatentes para cada lado do conflito.
No aplicativo Telegram, o líder de Kiev compartilhou fotos dos militares retornando ao território nacional e declarou: “205 ucranianos estão em casa. A maioria deles estava em cativeiro russo desde 2022”. O soldado Yevhen Yeremenko relatou a experiência após o longo período de restrição de liberdade. “É uma grande pena que tenha demorado tanto. Mas alguns meninos ainda estão lá. Eles estão esperando e tendo esperança. Eles esperam que sua pátria os tire de lá”, afirmou o militar, acrescentando: “Precisamos trazê-los de volta. Quatro anos são difíceis. Não os esqueçam!”.
Detalhes da troca de prisioneiros e repatriação em Mariupol
O serviço de inteligência militar ucraniano (HUR) informou que muitos dos resgatados participaram da defesa da cidade portuária de Mariupol, dominada por Moscou em 2022. O grupo repatriado inclui oficiais, sargentos e soldados. Em paralelo, as duas nações transferiram corpos de combatentes falecidos durante os confrontos, com a entrega de 526 restos mortais pelos russos e 41 pelos ucranianos. O Ministério da Defesa da Rússia comunicou que seus militares libertados foram encaminhados para Belarus, onde recebem assistência inicial.
Apesar da concretização desta etapa diplomática, as negociações de paz estruturadas com a participação norte-americana permanecem estagnadas. O período de trégua, programado entre os dias 9 e 11 de maio para coincidir com o aniversário da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial, registrou descumprimentos por ambas as partes. A ausência de avanços em outras frentes de diálogo mantém o cenário de instabilidade na região, mesmo com o sucesso pontual da repatriação mediada internacionalmente.
Fim do cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia gera novos ataques
Logo após o encerramento do prazo da trégua, as hostilidades foram retomadas com intensidade. As forças russas executaram uma ampla ofensiva aérea contra o território ucraniano, utilizando mais de 1.500 drones e diversos mísseis, tirando a vida de mais de 30 pessoas na capital Kiev e em outras localidades. Em contrapartida, as tropas da Ucrânia direcionaram veículos aéreos não tripulados contra alvos estratégicos na Rússia, com foco na destruição de infraestruturas energéticas, incluindo refinarias de petróleo, depósitos de combustíveis e oleodutos.



