Padre Fábio de Melo lança álbum e detalha como a arte o ajuda a manter o celibato e a saúde mental
Sacerdote católico explica a relação entre sexualidade e vocação, além de refletir sobre os desafios trazidos pela exposição pública
O padre Fábio de Melo prepara o lançamento do álbum “O Beijo Que Vós me Nordestes”. Em entrevista ao videocast Conversa Vai, Conversa Vem, de O Globo, o sacerdote detalhou a obra, que homenageia a cultura nordestina. Na ocasião, o religioso abordou temas íntimos, incluindo os impactos da notoriedade, a convivência com um quadro emocional delicado e como administra sua sexualidade.
A idealização do disco ocorreu no auge de um quadro emocional delicado. O religioso explicou ter predisposição genética à condição, agravada por familiares que decidiram tirar a própria vida. Sobre a crise aguda de 2017, ele detalhou o enfrentamento: “Em 2017, era só o que queria e pensava. Nunca tentei, mas, em muitos momentos, fiquei planejando. Em janeiro, tive uma crise muito ruim. Foi quando entendi que, por mais que estimulada por alguém, a luta é dentro de mim… Preciso encontrar recurso para sobreviver a mim mesmo. Quem me adoece não é o outro. Sou eu.”
Saúde mental e os desafios da fama para o padre Fábio de Melo
O fator desencadeante para o declínio de sua estabilidade foi a dificuldade em gerenciar a exposição midiática. A perda da privacidade gerou um desgaste profundo. Ao analisar o impacto do reconhecimento, ele fez uma autocrítica: “Foi a vida pública, sim. A fama é um roubo. É uma ilusão. Rouba você daquilo que você mais ama fazer. Vai retirando a espontaneidade, privando os caminhos. Meus maiores arrependimentos foram quando identifiquei a arrogância que reprovo no outro repetida em mim.”
Outro ponto abordado foi a vivência da sexualidade. Ele desmistificou a ideia de que a ausência de relações físicas anula a dimensão sexual humana, argumentando que a afetividade expressa essa energia. “Claro [que tenho vida sexual]! Pode não ter a vida genital, mas a sexualidade envolve todos os nossos afetos. A força da comunicação vem de onde? É sempre de sedução. Na linguagem, todos os recursos humanos se manifestam — e a isso chamamos de sexualidade também”, pontuou.
A relação de Fábio de Melo com o celibato e a arte
Para manter a fidelidade ao celibato, o cantor utiliza a produção artística como válvula de escape. A dedicação aos estudos funciona como mecanismo de sublimação. Explicando suas escolhas, ele concluiu: “[Lido com o celibato] com as dificuldades que uma pessoa precisa para ser fiel ao que escolheu. A vida de um padre tem limites e possibilidades. Gosto de estudar, ler. Minha opção pela arte me ajuda a sublimar. Limitamos desejos aos carnais. Mas os desejos espirituais são maravilhosos.”



