
Poesia de Edward Lustosa Boggiss é ator, diretor, produtor, autor e educador social, assistente social, tendo passagens pelo teatro e grandes emissoras de TV, como a Rede Globo e a Record.
“Um ponto de vista. Uma opinião.
Uma fé. Uma negação.
É impossível ser perfeito.
É impossível ser imperfeito.
Consciente coletivo?
Verdade absoluta?
Destino?
Caminho?
Dentro existe perfeição.
Dentro existe opção.
Dentro existe evolução.
Dentro existe criação.
Dentro. Dentro. Dentro.
Dentro de onde?
Onde é dentro?
O que é dentro?
Dentro é o que?
Existe o nada de tudo dentro.
Existe tudo no nada dentro.
Fora?
Existe fora?
O que seria fora?
Ausência?
Distância?
Separação?
Ou apenas outro nome para aquilo,
que ainda não compreendemos dentro?
Estar fora de algo.
É realmente estar distante?
Ou apenas não reconhecer
o lugar onde já estamos?
Ser fora ?
Olhar sem sentir.
Tocar sem perceber.
Existir sem presença.
O corpo pode estar fora
enquanto o pensamento permanece dentro.
E o pensamento pode estar fora
mesmo quando o corpo dentro permanece.
Fora da verdade?
Fora de si?
Fora do outro?
Fora da consciência?
Será possível esta r completamente fora de tudo?
Será possível esta r completamente fora de nada ?
Há quem exista fora de si .
Sobreviver ao peso de existir dentro.
Há quem construa máscaras tão densas,
que o lado de fora se torne moradia.
O fora silencioso.
Sem ego.
Sem pretensão.
Sem necessidade de definição.
O fora que não é abandono,
mas expansão.
Como se existir fora
não fosse deixar de ser,
mas perceber que o ser
não termina onde pensamos.
Dentro precis a do fora para perceber a própria forma.
O fora existe quando alguém olha de dentro.
O que é existir fora?
Instante em que deixamos de acreditar que somos o centro absoluto de tudo aquilo
que sentimos, vemos e pensamos.
Tudo se atravess a.
Tudo se ilude.
Tudo se mistura.
Tudo se confunde.
Talvez existir seja justamente habitar fronteiras invisíveis entre dentro e fora.
Pretensão. Ego. Vaidade.
Medo. Angustia. Realidade.
Porque sempre ser perfeito?
O que é perfeição?
Ter a pretensão de achar que sabemos tanto sobre os outros que definimos com
precisão os seus sentimentos, suas angustias, medos, desejos e pensam entos, fazendo
com que nossas características fiquem tão presentes na forma de ver aquela pessoa,
que ela deixa de ser realmente ela e passa a ser um pouco da pessoa que a observa e
analisa.”



