Papa Leão XIV exige medidas concretas contra a fome e o desperdício
Líder católico utiliza vídeo mensal de orações para alertar sobre o desperdício de alimentos e os dados alarmantes divulgados pela ONU.
O Papa Leão XIV utilizou suas intenções de oração de maio para cobrar mudanças nos hábitos da sociedade. No vídeo da campanha promovida pela Rede Mundial de Oração, o pontífice abordou a nutrição global. Ele destacou a necessidade de abandonar a “lógica do consumo egoísta” e adotar um comportamento “moderado e responsável” em relação aos recursos disponíveis no planeta.
A mensagem de Robert Prevost focou no contraste entre a escassez e a abundância. O líder religioso lamentou o cenário atual ao afirmar que “milhões de irmãos e irmãs continuam a passar fome, enquanto tantos bens são desperdiçados nas nossas mesas”. Ele orientou os fiéis “a agradecer cada alimento, a consumir com simplicidade, a partilhar com alegria, e a cuidar dos frutos da terra como um dom, destinado a todos, não apenas a alguns”.
Apelo do Papa Leão XIV por solidariedade
O pontífice pediu que a sociedade consiga “transformar a lógica do consumo egoísta em uma cultura de solidariedade”. Ele sugeriu a criação de campanhas educativas sobre o tema e projetos de distribuição de refeições aos mais vulneráveis. O discurso terminou com a seguinte prece: “Que ninguém seja excluído da mesa comum e que o vosso Espírito nos ensine a ver o pão não como um objeto de consumo, mas como um sinal de comunhão e cuidado”.
As declarações coincidem com estatísticas recentes da Organização das Nações Unidas. O Programa Mundial de Alimentos projeta que 318 milhões de indivíduos estarão em situação de insegurança alimentar severa em 2026. O relatório indica que os conflitos no Oriente Médio podem empurrar mais 45 milhões de pessoas para a escassez aguda, somando-se aos registros de crise simultânea documentados em Gaza e no Sudão no ano anterior.
Dados da ONU sobre desperdício de alimentos
A questão alimentar também afeta o meio ambiente de forma expressiva. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente revelou, por meio de seu Índice de Desperdício Alimentar, que a população global descarta mais de um bilhão de toneladas de comida anualmente. Esse volume de matéria orgânica não consumida gera consequências climáticas diretas, pois a perda e o descarte inadequado desses produtos respondem por uma fatia que varia de 8% a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa no mundo.



