Estudo revela que nova pílula diária contra o HIV mantém carga viral indetectável em 98,6% dos pacientes
Pesquisa publicada na The Lancet mostra que combinação inédita de antirretrovirais pode simplificar o tratamento contra o HIV sem perder a eficácia
Um ensaio clínico da revista The Lancet demonstrou que uma nova pílula diária contra o HIV apresenta resultados superiores ao modelo atual. O regime experimental combina doravirina e islatravir em dose única, dispensando os inibidores da transferência de fita da integrase (INSTIs). A classe é o padrão vigente, mas possui indícios de perda de eficiência a longo prazo.
A pesquisa acompanhou 553 voluntários de oito países por 48 semanas. Os dados revelaram que 98,6% dos indivíduos submetidos ao comprimido experimental mantiveram a carga viral indetectável. No grupo de controle, com tratamento padrão, o índice foi de 95,1%. O status indetectável indica que a infecção está controlada e o vírus se torna intransmissível.
Eficácia da pílula diária contra o HIV segundo o Hospital Israelita Albert Einstein
O infectologista Moacyr Silva Júnior avalia a descoberta. “São resultados muito importantes. Ela gera a supressão e, caso o paciente apresente resistência, você vai poder utilizar outras drogas, que atualmente fazem parte do tratamento padrão”, afirma. Sobre reações adversas, pondera: “Ainda é muito precoce para a gente analisar, porque somente quando se utiliza essas novas drogas em fase populacional ampla é que você vai ter a real forma de saber dos efeitos colaterais. Mas, a princípio, não se verificou tantos efeitos colaterais assim”.
A simplificação para um único comprimido favorece a adesão. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que 86% das pessoas em terapia estão no estágio indetectável. O cenário reflete as políticas do Sistema Único de Saúde (SUS) na diversificação das opções. A introdução de um regime de dose única é uma estratégia adicional para evitar a resistência viral.
Impacto do novo tratamento contra o HIV no SUS e o avanço no controle da infecção
O avanço soma-se a medidas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Silva Júnior destaca: “O que este estudo está indicando é uma simplificação e uma diversificação dos esquemas terapêuticos que já temos no Brasil. A gente vive uma revolução em relação ao HIV usando menos drogas, menos medicações e criando alternativas para driblar a resistência viral, então esse avanço é mais um tijolinho das descobertas importantes do combate à doença nas últimas décadas”. Ele conclui: “Vivemos uma estabilidade e um controle da doença, com ótima qualidade de vida para a população e tratamentos que vão ficando tão simples. Isso não é a cura, mas é algo a ser muito comemorado”.



