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Conflito deixa 13 mil mulheres grávidas no Líbano sem hospitais

Deslocamentos forçados e fechamento de centros médicos agravam a situação de gestantes em meio ao conflito no Oriente Médio.

O conflito armado colocou milhares de mulheres grávidas no Líbano em vulnerabilidade. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), 13,5 mil gestantes deixaram suas casas. A libanesa Nour relatou a tensão ao fugir de Beirute. “Eu respirava devagar e segurava a barriga o tempo todo”, afirmou. Ela explicou: “Estar grávida torna tudo mais pesado – não só fisicamente, mas emocionalmente”. A gestante disse: “Fico me perguntando o tempo todo se meu bebê está seguro dentro de mim.”

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A infraestrutura médica enfrenta dificuldades. A Organização Mundial da Saúde registrou o fechamento de 51 centros e confrontos que tiraram a vida de profissionais. Anandita Philipose, do UNFPA, alertou sobre o cenário. “A situação para mulheres e meninas no Líbano é catastrófica”, declarou. A agência projeta 1.500 partos no próximo mês. “O já frágil sistema de saúde do Líbano está agora à beira do colapso”, ressaltou Philipose.

Impacto do conflito para gestantes no sul do Líbano

No sul do país, o isolamento afeta 150 mil pessoas, incluindo 1.700 gestantes. “Essas mulheres correm um risco grave”, pontuou Philipose. Nos centros urbanos, as unidades lidam com escassez. Zeina Khouri Stevens, do LAU Medical Center, explicou a situação. “Não conseguimos trazer suprimentos suficientes e precisamos racionar medicamentos caso o conflito se estenda por mais de três meses”, detalhou. Ela concluiu: “Essa instabilidade enfraquece ainda mais o sistema de saúde.”

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A sobrecarga agrava um quadro histórico. A médica Jade Khalife explicou: “O sistema começou a se sobrecarregar com o grande fluxo de refugiados sírios a partir de 2013”. O cenário piorou depois. “O choque mais agudo veio no fim de 2019, com o colapso econômico”, afirmou. “Apesar dos esforços consideráveis de profissionais e instituições de saúde em todo o país, e do aumento dos investimentos por parte de diversas organizações, o sistema continua altamente vulnerável”, avaliou Khalife.

Incerteza de mulheres grávidas em Beirute

A dependência de hospitais privados cria obstáculos para a população. Para pacientes próximas do parto, a imprevisibilidade gera apreensão. Yara, moradora da capital e grávida de 33 semanas, não sabe se o hospital planejado estará operando. Ao descrever suas expectativas, ela resumiu o sentimento de quem aguarda o nascimento na crise: “Eu sonho com segurança e com um lar onde eu possa segurar meu bebê sem medo”, disse ela, “sem o som de explosões”.

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