Donald Trump perde apoio da direita europeia após conflitos no Irã
Políticos conservadores mudam de postura diante da queda de popularidade do republicano e dos reflexos da guerra no Oriente Médio
Pouco mais de um ano após celebrarem o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, líderes da direita europeia iniciaram um movimento de afastamento do político republicano. Políticos que anteriormente consideravam o governante americano um aliado estratégico começaram a demonstrar oposição às suas recentes decisões, especialmente no contexto do conflito armado envolvendo o Irã. A mudança de postura reflete o temor de que a associação com o chefe de Estado prejudique o desempenho eleitoral de seus partidos no continente.
No Reino Unido, o parlamentar Nigel Farage, líder do partido Reform UK, alterou o tom entusiasta que adotava durante a campanha americana. Ao comentar sobre seu apoio ao presidente, ele declarou ao Financial Times: “Por acaso eu o conheço, mas isso não vem ao caso”. Na Alemanha, representantes do partido AfD também manifestaram descontentamento. Tino Chrupalla levantou suspeitas sobre ações militares americanas contra infraestruturas civis iranianas, enquanto a líder da sigla, Alice Weidel, afirmou que “A desestabilização renovada do Oriente Médio não é do interesse da Alemanha e deve acabar”.
Donald Trump e os impactos econômicos criticados por Marine Le Pen
O recuo dos europeus possui ligação direta com os reflexos do confronto no Oriente Médio na economia global. O bloqueio do Estreito de Ormuz afeta o trânsito de uma parcela significativa do petróleo mundial, gerando instabilidade nos mercados. Diante desse cenário, a líder francesa Marine Le Pen expressou preocupação com as “consequências catastróficas” nos valores dos combustíveis. No mesmo país, Jordan Bardella, cotado para a disputa presidencial, reprovou as ações americanas, classificando-as como “ambições imperiais”.
A insatisfação atingiu até mesmo figuras políticas que mantinham proximidade com o governo dos Estados Unidos, como a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. A governante, que tentava atuar como mediadora entre o continente europeu e a Casa Branca, repreendeu os ataques verbais direcionados ao papa Leão XIV. “Acho inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre”, declarou a líder italiana, acrescentando que “O papa é o chefe da Igreja Católica, e é certo e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra.”
Rejeição a Donald Trump na Europa atinge aliados como Viktor Orbán
A vinculação da imagem dos políticos europeus ao líder americano transformou-se em um obstáculo eleitoral. Dados de um levantamento da YouGov indicam que a desaprovação do republicano ultrapassa a marca de oitenta por cento em nações como Itália e Alemanha. Esse panorama já resulta em consequências práticas, com aliados registrando quedas em pesquisas de intenção de voto e sofrendo reveses nas urnas, a exemplo do que ocorreu com Viktor Orbán na Hungria. A pesquisa revelou ainda que a maioria dos cidadãos do continente enxerga o presidente dos Estados Unidos como um risco à segurança regional, com índices de percepção negativa próximos aos registrados em relação a Vladimir Putin.



