Saúde & Bem-estar

O perigo do isolamento: por que a falta de socialização pode destruir sua saúde

Entenda como o contato humano atua no cérebro e por que as redes sociais não substituem as interações presenciais no dia a dia

Manter contato com outras pessoas é vital para o bem-estar, equiparando-se à importância de uma boa dieta e exercícios físicos. A socialização estimula a liberação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e oxitocina. O neurocientista americano Ben Rein esclarece que esse mecanismo tem raízes na evolução da espécie. “Quando nos conectamos com outras pessoas, geralmente nos sentimos melhor. Isso ocorre porque temos esses sistemas no cérebro (os sistemas de recompensa social) que nos fazem bem”, afirma.

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A presença da oxitocina ilustra os impactos práticos do convívio, atingindo níveis elevados durante a formação de vínculos. “Existem evidências de que a oxitocina pode reduzir inflamações, ser neuroprotetora, promover a função imunológica, ajudar o crescimento dos ossos e reduzir o estresse social”, detalha o pesquisador. O contato interpessoal deve ser utilizado de forma estratégica no cotidiano. “Deveríamos realmente levar essas oportunidades a sério para hackear nossa biologia nos conectando com outras pessoas”, recomenda.

Os riscos do isolamento apontados pelo neurocientista Ben Rein

A ausência de interações eleva a probabilidade de desenvolvimento de tensão emocional, quadro emocional delicado e o risco de indivíduos tentarem tirar a própria vida. O distanciamento extremo amplia em 32% as chances de uma pessoa falecer, devido ao aumento na produção de cortisol. “Viver reação ao estresse a longo prazo é extenuante e cansativo para o cérebro e os tecidos do seu corpo”, pontua o cientista, alertando que a situação não apenas afeta a mente, “mas também tem efeitos biológicos que levam à inflamação crônica.”

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A sociedade atual vivencia uma redução nos contatos presenciais, impulsionada pela automação de serviços e pelo uso de plataformas digitais. O isolamento recente reduziu as conexões físicas da população, mas a biologia humana continua a mesma. “Na verdade, não mudamos nossas necessidades. Ainda precisamos nos conectar tanto quanto antes”, observa o autor. Ele classifica a comunicação virtual como insuficiente, pois o formato digital não entrega a mesma satisfação neurológica que os encontros reais proporcionam.

Estratégias de Ben Rein para aumentar a conexão social

A recomendação principal é aprofundar a qualidade dos contatos, trocando mensagens de texto por ligações ou encontros físicos. “Sempre que você puder restaurar a textura e a profundidade das suas interações, provavelmente, haverá mais benefícios para o seu cérebro”, orienta. O volume ideal de convívio varia para cada perfil. “Precisamos atender às exigências dos nossos cérebros individuais”, explica. O importante é manter a troca interpessoal constante. Como ilustra o especialista, “Não é que você precise ir fundo todas as vezes”, mas o fundamental é compreender que, “Na verdade, é questão de garantir que você não fique fora da piscina.”

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