Desaparecidos na guerra: o drama de 16 mil civis ucranianos presos em prisões russas
Organizações de direitos humanos denunciam isolamento total e violação da Convenção de Genebra durante o conflito no leste europeu
Desde o início do conflito, o número de civis ucranianos presos pela Rússia atingiu a marca estimada de 16 mil pessoas. Organizações relatam que esses indivíduos, sem envolvimento nos combates, são mantidos em isolamento total. A justificativa do regime russo baseia-se em suposta resistência à operação militar, deixando famílias sem informações sobre seus parentes.
O isolamento imposto viola normas humanitárias. Um dos registros mais antigos envolve Oleh Schewandin, capturado em 2015 em Donetsk. Sua esposa relata a angústia: “Onze anos em uma prisão russa é muito tempo. Quando se diz que cada dia é um inferno, é preciso multiplicar isso por 365 e depois novamente por onze.” Sobre a ilegalidade, Jurij Kowbasa ressalta: “A Convenção de Genebra obviamente não permite que um país que invade o território de outro prenda e detenha um civil sem qualquer justificativa”.
Prisão de civis ucranianos e o caso de Serhij Zyhipa
Há também casos em que o governo russo formaliza acusações. O jornalista Serhij Zyhipa foi capturado em Nova Kakhovka em 2022 e processado por espionagem. Sua esposa, Olena, tenta manter comunicação enviando cartas, mas enfrenta o silêncio. “O fato de eu não receber respostas pode significar que minhas cartas não estão chegando até ele”, afirma. Ela expressa preocupação com o cárcere, destacando que “Eles são mantidos em condições frias e úmidas.”
Relatórios da ONU indicam que o tratamento nos centros de detenção envolve abusos. Kowbasa reforça que “Quando nossos defensores e até civis retornam do cativeiro, sempre relatam tortura e maus-tratos. Todos confirmam isso”. O perfil dos alvos inclui voluntários e cidadãos com engajamento social. Michail Sawwa explica o motivo: “Eles representam uma ameaça aos olhos dos ocupantes, porque podem se tornar um ponto de articulação da resistência organizada”.
Tática de intimidação da Rússia contra a população
A estratégia de detenções funciona como mecanismo de controle. Segundo Sawwa, a prática “Demonstra-se literalmente a todos que isso pode acontecer com qualquer um.” Um exemplo é o oficial reformado Serhij Lichomanow, levado de seu apartamento na Crimeia em 2023 sob acusações de traição. Sua irmã, Tatjana Selena, defende o familiar: “Quero que meu irmão tenha a chance de levar uma vida normal, não na prisão, porque ele não merece isso, não fez nada de errado”.



