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Desespero em alto mar: tripulantes no Golfo de Hormuz chegam ao limite após semanas presos

Trabalhadores de embarcações ancoradas enfrentam tensão emocional e buscam repatriação diante da insegurança marítima no Oriente Médio

Trabalhadores que atuam como tripulantes no Golfo de Hormuz enfrentam extrema vulnerabilidade após permanecerem cerca de seis semanas retidos. A paralisação das frotas ocorre em decorrência dos riscos de segurança no Oriente Médio, incluindo a possibilidade de ataques de drones e a presença de minas submarinas. Segundo informações divulgadas pelo jornal britânico The Guardian, a impossibilidade de deixar o local tem gerado um forte desgaste psicológico nos profissionais, que permanecem em petroleiros ancorados sem previsão de liberação para navegar com segurança.

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O cenário de imobilidade afeta milhares de trabalhadores que aguardam uma resolução diplomática ou militar para o bloqueio. Um dos marinheiros entrevistados descreveu a frustração de observar a frota paralisada no mar. “Estamos ancorados, perto de dezenas de petroleiros carregados. Ninguém se mexeu um centímetro”, relatou o profissional. A convivência diária com o perigo iminente dificulta a manutenção do equilíbrio psicológico da equipe a bordo. “Você pode tentar minimizar o impacto que essa situação tem na sua saúde mental, mas está ficando impossível”, desabafou o trabalhador sobre a rotina no navio.

Relatos ao The Guardian sobre tripulantes no Golfo de Hormuz

A pressão constante levou alguns profissionais a tomarem medidas extremas em relação aos seus contratos de trabalho, recusando-se a prosseguir viagem. “Entreguei meu pedido de desligamento exatamente há um mês. Avisei o comandante: não estou disposto a navegar pelo estreito. É por segurança, é tudo por segurança”, explicou o marinheiro. O ambiente de confinamento e incerteza resultou em episódios de crise entre a equipe. “Não tenho dúvida de que esse problema, esse colapso, está acontecendo [em petroleiros] ao nosso redor por causa do estresse dessa situação. Linhas telefônicas de apoio a marítimos tentam ajudar, mas desde o começo todos nós sabíamos que não seria suficiente”, detalhou.

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A busca por auxílio psicológico remoto tornou-se uma ferramenta necessária após incidentes recentes, como o ataque a uma embarcação do Kuwait nas proximidades. O mesmo tripulante relatou sua experiência ao contatar o serviço de escuta pela primeira vez. “Eu estava um pouco sobrecarregado e não tinha certeza se conseguiria lidar com o que estava sentindo. É importante para mim que os outros não me vejam chorar. Ajudou, só por colocar para fora todos os sentimentos com um estranho”, revelou. A Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) registrou aproximadamente mil consultas de marinheiros distribuídos em 300 navios desde o início da crise.

Sindicatos avaliam a tensão emocional dos marinheiros ancorados

Os dados da ITF indicam que cerca de 20% dos contatos realizados pelos trabalhadores tinham como objetivo solicitar a repatriação imediata, além de expressarem preocupações com o abastecimento de água, comida e o pagamento de salários. David Appleton, representante do sindicato Nautilus, ressaltou as limitações do suporte oferecido à distância. “Todo mundo faz o melhor para ajudar, mas, na prática, o que você quer é tirar as pessoas da situação”, pontuou o dirigente. O sindicalista enfatizou que a vulnerabilidade das tripulações agrava o quadro geral. “Além do peso mental que a ameaça de violência impõe às pessoas o fato de você estar ali quase como um alvo fácil há também a incerteza, e não saber por quanto tempo isso vai…”, concluiu Appleton.

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