Debandada de patrocinadores: grandes marcas abandonam festival por causa de Kanye West
Decisão das empresas ocorre após pressão de autoridades britânicas e entidades judaicas contra a participação do artista no evento em Finsbury Park.
A organização do Wireless Festival, tradicional evento de música em Londres, enfrenta uma crise institucional após a confirmação do rapper Kanye West, agora conhecido como Ye, como atração principal para a edição de julho de 2026. A escalação do artista resultou na retirada imediata de grandes patrocinadores, como a Pepsi e a Diageo. A saída das marcas ocorreu após uma onda de críticas de entidades judaicas e autoridades do Reino Unido, que questionam a presença do músico no país devido ao seu histórico de declarações públicas favoráveis ao nazismo e comentários de teor antissemita realizados nos últimos anos.
A Pepsi, que figurava como a patrocinadora master do evento, anunciou o encerramento do vínculo na manhã de domingo. Pouco tempo depois, a Diageo, responsável por marcas globais de bebidas, seguiu o mesmo caminho, justificando a decisão após expressar preocupações formais aos organizadores. O cenário político britânico também reagiu à contratação; o primeiro-ministro Keir Starmer descreveu a situação como “profundamente preocupante”, enquanto o prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou que as falas anteriores do artista são “ofensivas e erradas”, ressaltando que a administração municipal não teve participação na escolha do line-up.
Impacto das declarações do artista no mercado publicitário
O histórico de Ye tem sido marcado por controvérsias que afastaram parceiros comerciais desde 2022, quando a Adidas encerrou uma colaboração de longa data. Embora o rapper tenha emitido pedidos de desculpas em 2023 e no início de 2026, suas ações subsequentes mantiveram a desconfiança do público e das empresas. Em 2025, o lançamento de uma canção com referências explícitas a Adolf Hitler e a comercialização de vestuário com simbologia nazista agravaram a situação. Em carta aberta recente, o músico negou ser nazista e relacionou seus comportamentos a um diagnóstico de transtorno bipolar, justificativa que não impediu a reação negativa atual.
A polêmica ganha contornos mais severos devido ao aumento da vigilância contra crimes de ódio no Reino Unido. Recentemente, a polícia antiterrorismo iniciou investigações sobre ataques a ambulâncias de uma organização judaica em Londres, o que elevou o estado de alerta das autoridades locais. Nesse contexto, a Campaign Against Antisemitism (CAA) lidera um movimento para que o governo britânico utilize prerrogativas legais para impedir a entrada de Ye no país, alegando riscos à ordem pública. Medida semelhante foi adotada pela Austrália em 2025, resultando no cancelamento do visto do cantor.
Continuidade do evento e pressão das entidades judaicas
Até o momento, o site oficial do Wireless Festival mantém Kanye West como o destaque para os dias 10, 11 e 12 de julho. Mesmo com a saída dos investidores, a comunicação visual do evento ainda apresentava marcas dos antigos patrocinadores no início desta semana. A manutenção do artista na programação ignora, por ora, a pressão de grupos que defendem a aplicação de leis de imigração rigorosas para casos de discurso de ódio. O desfecho do caso depende agora de uma possível intervenção do Ministério do Interior britânico, que possui autoridade para barrar indivíduos cuja presença seja considerada não condizente com o interesse público.



