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Alemanha registra queda de igrejas cristãs e crescimento de templos de outras religiões

Enquanto o catolicismo e o protestantismo perdem fiéis, comunidades de imigrantes impulsionam a construção de sinagogas, mesquitas e templos hindus.

A paisagem urbana da Alemanha atravessa uma transformação estrutural motivada pela mudança no perfil demográfico e religioso de sua população. Enquanto as tradicionais igrejas católicas e evangélicas enfrentam um processo de fechamento, redução ou ressignificação de seus espaços, novas edificações de matrizes religiosas diversas começam a surgir em diversas cidades. Em Erlangen, no sul do país, o governo da Baviera cedeu um terreno para a construção de uma nova sinagoga, ao mesmo tempo em que mesquitas locais planejam ampliações e associações hindus adquirem áreas para erguer templos dedicados a divindades como Shiva e Vishnu.

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O declínio das grandes denominações cristãs é evidenciado pelos dados estatísticos recentes. Atualmente, cerca de 36,6 milhões de alemães são vinculados à Igreja Católica ou à Igreja Evangélica, o que representa aproximadamente 44% da população total de 83,5 milhões de habitantes. Esse número contrasta com o passado recente, quando mais da metade dos cidadãos se declarava membro de uma dessas duas instituições. Em contrapartida, grupos como a Igreja Ortodoxa Copta apresentam crescimento. No bairro de Bruck, uma antiga igreja católica foi assumida pela comunidade copta, que viu seu número de membros saltar de 18 para 60 famílias em poucos anos. “Antes, tínhamos 18 famílias, com 50 ou 60 membros; hoje, são cerca de 60 famílias, com mais de 200 pessoas”, afirma o diácono copta Ragai Edward Matta.

Expansão de comunidades orientais e islâmicas

A imigração proveniente de países como Índia e Síria é o principal motor dessa nova configuração arquitetônica. Em Berlim, o número de residentes com nacionalidade indiana aumentou mais de dez vezes na última década, ultrapassando a marca de 41 mil pessoas. Esse fenômeno justifica a inauguração do maior templo hindu da Alemanha na capital, um projeto privado que estava em desenvolvimento desde 2004. Segundo Vilwanathan Krishnamurthy, idealizador da iniciativa, a estrutura atende a uma demanda geracional: “Somos uma comunidade em crescimento” e “Existe um anseio por um centro religioso onde os jovens possam se reunir”, afirma ele, ressaltando que a presença desses centros tranquiliza famílias que permanecem na Índia.

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Além dos templos hindus, a presença islâmica se consolida com a inauguração de novas mesquitas em cidades como Voerde, Kornwestheim e Köngen. A União Turco-Islâmica Institucional para a Religião (DITIB) informou que novas pedras fundamentais foram lançadas em Giessen e Willich. Estima-se que existam mais de 5,3 milhões de muçulmanos no país, além de comunidades budistas que já contam com cerca de 20 mosteiros em território alemão. A diversidade também se manifesta em Frankfurt, que abriga ao menos seis espaços dedicados ao hinduísmo, refletindo diferentes correntes e identidades nacionais de imigrantes afegãos, tamiles e indianos.

Novos centros religiosos e integração social

O financiamento dessas novas construções provém, em grande parte, de doações privadas e recursos das próprias comunidades. Em Erlangen, a associação Hindu Tempel Franken viabilizou a compra de um terreno por meio de empréstimos e contribuições de fiéis, muitos dos quais ocupam cargos de engenharia ou direção em grandes empresas multinacionais. Esse movimento sinaliza que a religiosidade na Alemanha não está desaparecendo, mas sim se fragmentando e se diversificando. A arquitetura das cidades alemãs, antes dominada pelas torres das igrejas cristãs, agora incorpora cúpulas de mesquitas e ornamentos de templos orientais, consolidando uma nova identidade visual e cultural no país.

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