Livro inédito detalha distanciamento e bastidores da morte do príncipe Philip no Castelo de Windsor
Obra do biógrafo Hugo Vickers relata que a monarca não estava presente no leito de morte do marido e descreve a rotina de isolamento do casal real.
Uma nova biografia sobre a trajetória da rainha Elizabeth II apresenta detalhes inéditos e pouco conhecidos a respeito dos últimos anos de vida do príncipe Philip. No livro intitulado “Queen Elizabeth II”, o biógrafo real Hugo Vickers reuniu depoimentos de pessoas próximas e observações mantidas sob sigilo por décadas para descrever a dinâmica do casal. Entre as revelações de maior impacto está o fato de que a monarca não estava presente no quarto no momento em que o marido faleceu. Segundo a obra, a rainha teria manifestado irritação com a circunstância da partida, afirmando estar “absolutamente furiosa porque, como tantas vezes na vida, ele partiu sem se despedir”.
O relato detalha que o príncipe Philip enfrentava um quadro de saúde complexo desde 2013, quando foi diagnosticado com um câncer pancreático inoperável. Nos anos seguintes, o duque de Edimburgo passou por intervenções cardíacas e reduziu gradualmente sua agenda oficial até a aposentadoria definitiva em 2017. Durante esse período, ele optou por viver de forma mais independente em Wood Farm, na propriedade de Sandringham, onde se dedicava à leitura, pintura e condução de carruagens. Vickers aponta que, naquela fase, o casal vivia momentos de distanciamento físico, com a rainha realizando visitas pontuais de trem nos fins de semana, permitindo ao marido uma rotina de liberdade.
Rotina de isolamento e o impacto da crise sanitária global
A dinâmica de convivência mudou drasticamente em 2020, com a chegada da pandemia de Covid-19. Para garantir a segurança do casal, Elizabeth II solicitou que Philip deixasse Wood Farm para se juntar a ela no Castelo de Windsor. Eles foram instalados em uma estrutura com equipe reduzida de 22 funcionários, em um esquema de isolamento rigoroso que ficou conhecido internamente como “HMS Bolha”. O livro descreve que o acesso aos andares superiores do castelo era extremamente restrito, visando proteger a saúde dos monarcas, o que resultou em um período de convivência intensa e reservada, sem a presença habitual de damas de companhia.
Os registros biográficos indicam que, no início de 2021, a saúde de Philip apresentava sinais claros de declínio, incluindo falhas de memória e complicações após uma cirurgia cardíaca. O biógrafo afirma que o príncipe não desejava as celebrações de seu centenário, que ocorreria em junho daquele ano. Em suas horas finais, Philip teria demonstrado resistência aos cuidados médicos protocolares. O texto relata que ele “despistou suas enfermeiras, caminhou arrastando os pés pelo corredor com seu andador, serviu-se de uma cerveja e a bebeu no Salão do Carvalho”. Na manhã seguinte, após realizar sua higiene pessoal, ele relatou mal-estar e faleceu de forma silenciosa.
Despedida restrita e o cumprimento dos desejos do duque
O funeral do príncipe Philip, ocorrido em abril de 2021, foi marcado pelas restrições sanitárias vigentes na época, contando com a presença de apenas 30 pessoas. Apesar da frustração inicial da rainha por não ter conseguido se despedir formalmente no leito de morte, o autor da biografia pondera que o formato da cerimônia de despedida teria agradado ao duque. Segundo Vickers, “nada teria deixado o Duque mais feliz do que uma despedida tão discreta”, refletindo o temperamento avesso a grandes solenidades que ele demonstrou ao longo de sua vida pública. A obra reforça como a privacidade foi preservada até os momentos derradeiros da vida do consorte real.



