Gasolina atinge maior valor nos EUA desde 2022 impulsionada por tensões no Estreito de Ormuz
Bloqueio no Estreito de Ormuz e conflitos envolvendo o Irã elevam o custo do combustível para o maior patamar em quase quatro anos.
O valor médio do combustível nas bombas dos Estados Unidos apresentou uma elevação acentuada, ultrapassando a barreira dos 4 dólares por galão nesta terça-feira, 31 de março de 2026. De acordo com os indicadores monitorados pela Associação Automobilística Americana (AAA), o preço exato registrado nas primeiras horas do dia foi de 4,018 dólares por galão, o que equivale a aproximadamente 3,785 litros. Este patamar financeiro é o mais elevado observado no mercado norte-americano desde agosto de 2022, período em que o setor energético global enfrentava instabilidades decorrentes da retomada pós-pandemia e de conflitos no leste europeu.
A trajetória ascendente dos preços ocorre em um intervalo curto de tempo, visto que, no encerramento de fevereiro, o galão era comercializado por valores inferiores a 3 dólares. Este cenário representa um obstáculo para a gestão do presidente Donald Trump, coincidindo com o agravamento das hostilidades diplomáticas e militares com o governo iraniano. A última vez que o mercado de combustíveis registrou números tão expressivos foi quando o preço chegou a atingir 5 dólares, motivado por crises geopolíticas anteriores que afetaram a cadeia de suprimentos global de energia.
Impactos do bloqueio no Estreito de Ormuz e mercado global
Especialistas do setor apontam que o principal fator para esta disparada recente é a interrupção do fluxo comercial no Estreito de Ormuz. O Irã estabeleceu um bloqueio efetivo nesta passagem marítima, que é considerada uma das rotas mais vitais para o comércio de energia no mundo, sendo responsável pelo trânsito de quase 20% de todo o petróleo e gás consumidos globalmente. A restrição na circulação de navios petroleiros gera uma pressão imediata sobre os estoques internacionais, refletindo-se de forma direta nos postos de abastecimento para o consumidor final nos Estados Unidos.
Diante da crise instalada, o governo norte-americano busca alternativas para estabilizar o mercado interno. O presidente Donald Trump manifestou otimismo quanto à possibilidade de uma resolução diplomática, afirmando acreditar que em breve alcançará um acordo negociado para encerrar a guerra. Entretanto, o chefe do Executivo manteve uma postura de advertência ao declarar que, caso o entendimento não seja firmado, as instalações petrolíferas iranianas sofrerão ataques severos, o que poderia agravar ainda mais a volatilidade dos preços internacionais.
Perspectivas para o setor energético e economia norte-americana
A Administração de Informação de Energia reforça que a instabilidade atual possui paralelos com crises históricas, mas a velocidade da alta em 2026 preocupa analistas econômicos. O aumento do custo de transporte e logística, derivado do combustível mais caro, pode gerar um efeito cascata em outros setores da economia, elevando a inflação de produtos básicos. Enquanto as negociações internacionais prosseguem, o mercado financeiro permanece atento aos desdobramentos no Oriente Médio, que continuam sendo o principal termômetro para a definição dos preços da gasolina no curto prazo.



