Crianças retiradas de hospital em Gaza retornam do Egito para reencontro familiar
Menina estava entre os recém-nascidos transferidos do hospital Shifa em 2023 e retornou ao território palestino durante o atual cessar-fogo.
Uma mãe palestina conseguiu reencontrar sua filha após mais de dois anos de separação forçada, iniciada quando a criança foi evacuada ainda recém-nascida do hospital Shifa, no norte de Gaza. A menina, identificada como Bisan, faz parte de um grupo de pelo menos oito crianças que estavam sob cuidados médicos no Egito e puderam retornar para suas famílias. O grupo original era composto por mais de 30 bebês prematuros e gravemente enfermos que precisaram ser retirados da unidade de saúde em novembro de 2023, período em que o hospital foi ocupado por forças militares sob a justificativa de que a estrutura era utilizada para fins estratégicos pelo Hamas.
Sundus al-Kurd, mãe de Bisan, relatou que o período de afastamento foi marcado por uma profunda incerteza sobre o paradeiro e a sobrevivência da filha. No momento da ocupação hospitalar, Sundus tentou levar a recém-nascida consigo, mas foi impedida pela equipe médica, que afirmou que a bebê não poderia sobreviver fora da incubadora. Sem notícias por quase um ano, a mãe enfrentou o luto por outros familiares, incluindo outro filho, seus pais e seu irmão, enquanto buscava informações em listas de pacientes e notícias sobre o destino dos bebês prematuros que não resistiram às condições precárias do hospital na época.
Esforços de identificação e transferência internacional
A confirmação de que Bisan estava viva ocorreu apenas meses depois, quando foi localizada em um hospital de campanha em território egípcio. A identificação foi possível graças a uma pulseira rosa colocada na criança logo após o seu nascimento, que permaneceu com ela durante todo o processo de transferência internacional. Sundus descreveu o momento da descoberta como um sonho, embora tenha admitido o receio de que a filha não a reconhecesse devido ao longo tempo de ausência. “Vivi entre o desespero e a esperança de que minha filha ainda estivesse viva”, afirmou a mãe em depoimento à rede BBC, destacando a angústia de analisar fotos de crianças em busca de traços familiares.
O retorno dessas crianças acontece em um momento de relativa estabilidade proporcionado por um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. Embora o reencontro represente um alívio para as famílias envolvidas, a situação humanitária e política na região permanece complexa. O território de Gaza encontra-se fragmentado, com divisões de controle entre forças externas e grupos locais, enquanto a infraestrutura urbana segue amplamente comprometida. O acordo que permitiu a volta dos menores é visto como um avanço pontual dentro de um cenário de negociações mais amplas que ainda buscam soluções definitivas para a governança da área.
Contexto político e desafios para a reconstrução regional
Especialistas e diplomatas internacionais observam que o futuro da região depende de acordos sobre o desarmamento e a reconstrução total das cidades. Enquanto o cessar-fogo possibilita ações humanitárias como a reunificação familiar, o plano de retirada total de forças militares estrangeiras ainda enfrenta impasses significativos. Representantes locais indicam resistência a certas condições impostas para a pacificação, o que mantém o cenário de incerteza para a população civil. Para mães como Sundus, o foco imediato permanece na adaptação das crianças ao ambiente familiar após anos de tratamento médico e isolamento em hospitais estrangeiros.



