Parlamentar americano propõe encontro entre Rei Charles III e sobreviventes do caso Epstein
O congressista Ro Khanna defende que o monarca britânico trate falhas institucionais com transparência durante possível visita a Washington.
O deputado norte-americano Ro Khanna solicitou formalmente que o Rei Charles III realize um encontro com vítimas de Jeffrey Epstein durante uma provável visita oficial aos Estados Unidos. Khanna, que atua como parlamentar democrata e foi coautor da legislação que exigiu a abertura de arquivos sigilosos do Departamento de Justiça sobre o caso, defende que a reunião ocorra de forma privada. O objetivo da proposta é permitir que o monarca ouça relatos diretos sobre “como indivíduos e instituições poderosas falharam com elas”, buscando promover um ambiente de responsabilidade e transparência diante das graves denúncias de violência íntima que envolvem o círculo social do falecido financista.
Ao fundamentar o pedido, o congressista destacou que as ramificações das atividades ilícitas de Epstein ultrapassam as fronteiras dos Estados Unidos, possuindo conexões profundas com o Reino Unido. Khanna mencionou a relação de Epstein com Ghislaine Maxwell e a circulação do financista em esferas políticas e sociais britânicas como fatores que “levantam questões mais amplas sobre como Epstein conseguiu manter influência, credibilidade e proteção através das fronteiras por tanto tempo”. Para o parlamentar, a postura do monarca é essencial para lidar com o impacto internacional do caso.
Investigações sobre figuras públicas britânicas
A pressão sobre a monarquia britânica é acentuada pelo envolvimento de Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei, que teve seus títulos destituídos no ano anterior devido aos vínculos com Epstein. Khanna ressaltou que parlamentares americanos tentaram obter o depoimento de Andrew, mas ele “não respondeu” às solicitações. Embora tenha firmado um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre em 2022, o integrante da família real nega qualquer irregularidade e não possui obrigação legal de depor em solo americano. O caso também atinge Peter Mandelson, ex-embaixador britânico, que é investigado por suspeitas de compartilhamento de informações governamentais sensíveis com o financista.
A agenda oficial do Rei Charles III e da Rainha Camilla nos Estados Unidos, embora ainda não confirmada oficialmente, está prevista para o final de abril. O roteiro deve incluir passagens por Washington, reuniões com o presidente Donald Trump e um possível pronunciamento no Congresso Nacional. Em resposta aos questionamentos, o Palácio de Buckingham emitiu um comunicado afirmando que as “simpatias do rei sempre estiveram, e continuam, com as vítimas de qualquer forma de abuso”, indicando uma postura de reconhecimento ao sofrimento das sobreviventes.
Transparência institucional e cooperação policial
Recentemente, o monarca manifestou que a família real está “pronta para apoiar” investigações policiais em curso. Essa declaração ocorreu após desdobramentos envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor, que foi alvo de averiguações sobre sua conduta enquanto atuava como representante comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011. Documentos revelados recentemente expuseram registros fotográficos de Andrew com Epstein, reforçando o escrutínio público sobre o nível de proximidade entre a realeza e o financista, o que motiva o pedido de Khanna por um posicionamento mais direto da coroa britânica.



