Irã denuncia ataque aéreo contra escola primária ao Conselho de Direitos Humanos da ONU
Ministro Abbas Araqchi classificou o episódio como crime de guerra e apontou a responsabilidade de forças estrangeiras no bombardeio que atingiu civis.
O governo do Irã formalizou nesta sexta-feira, 27 de março, um pedido ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para que o órgão condene o ataque aéreo ocorrido em 28 de fevereiro contra uma instituição de ensino no sul do país. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, apresentou a denúncia focada no bombardeio à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, localizada na região de Minab. Durante a sessão em que o diplomata discursou, as delegações dos Estados Unidos e de Israel não estavam presentes no plenário.
De acordo com as informações apresentadas por Araqchi, a ofensiva resultou em um cenário onde mais de 175 alunos e professores faleceram. O chanceler utilizou termos jurídicos internacionais para definir a gravidade do ocorrido, afirmando que o ataque à unidade escolar configura um “crime de guerra e crime contra a humanidade”. O posicionamento iraniano busca responsabilizar as forças militares envolvidas pela perda de vidas civis em um ambiente protegido pelas normas internacionais de conflitos armados.
Investigação sobre falhas de inteligência militar
Relatórios preliminares indicam que o Exército dos Estados Unidos elevou o status de sua investigação interna após evidências apontarem que forças americanas provavelmente foram as responsáveis pelo disparo. A principal linha de apuração sugere que as tropas podem ter operado com dados de alvos desatualizados. Essa falha técnica teria impedido a diferenciação correta entre a estrutura da escola primária e uma base militar situada nas proximidades do local atingido, resultando no colapso da edificação civil.
Além do episódio específico em Minab, o ministro Abbas Araqchi denunciou o que chamou de um padrão sistemático de ataques voltados contra a infraestrutura civil do país. Segundo os dados apresentados pela chancelaria iraniana, o balanço de danos em território nacional já soma mais de 600 escolas danificadas. O diplomata destacou que o impacto humano dessas ações é severo, contabilizando mais de 1.000 alunos e professores que ou faleceram ou ficaram feridos em decorrência das hostilidades recentes na região.
Impactos na infraestrutura educacional e segurança regional
O representante do Irã reiterou perante o conselho da ONU que o país não possui o objetivo de buscar o confronto bélico direto, mas ressaltou que a nação manterá o exercício de sua autodefesa diante de agressões externas. A ausência de representantes dos Estados Unidos e de Israel durante o pronunciamento de Araqchi reflete o clima de tensão diplomática que envolve o caso. O governo iraniano espera que a comunidade internacional se manifeste sobre a proteção de áreas escolares e a preservação da vida de não combatentes em zonas de tensão.



