Repórter do SBT é ameaçado por comandante militar e toma decisão drástica nas redes sociais
Sérgio Utsch denunciou agressões contra recrutas brasileiros em solo ucraniano e afirmou que não será intimidado por ataques de líderes da unidade.
O jornalista Sérgio Utsch, correspondente internacional do SBT, revelou publicamente que está sendo alvo de ameaças e tentativas de intimidação após a divulgação de uma investigação jornalística. O trabalho, realizado em colaboração com Jared Goyette, do veículo Kyiv Independent, detalhou denúncias de irregularidades e violência em uma unidade militar localizada na Ucrânia. A reportagem focou na situação de voluntários brasileiros que integram as forças locais, expondo um cenário de possíveis violações de direitos dentro do agrupamento estrangeiro.
De acordo com as informações apuradas pelos jornalistas, um jovem brasileiro de 28 anos faleceu após ser vítima de agressões físicas dentro da base militar. O caso gerou a abertura de investigações por parte das autoridades ucranianas, que buscam esclarecer as circunstâncias do ocorrido e os indícios de prática criminosa. Utsch utilizou seus perfis digitais para explicar que o comandante da unidade envolvida, também de nacionalidade brasileira, reagiu de forma agressiva à exposição dos fatos, optando por ataques diretos aos profissionais de imprensa em vez de prestar esclarecimentos sobre as acusações.
Investigação sobre conduta militar e segurança de jornalistas
Diante da gravidade das mensagens recebidas, o comunicador optou por um afastamento temporário das redes sociais para preservar sua integridade. Em um pronunciamento recente, ele destacou que as tentativas de silenciamento partiram diretamente da liderança da unidade investigada. “Eu fiz uma paradinha técnica de redes sociais nas últimas semanas e, entre os motivos, estão ameaças e tentativas de intimidação recebidas de um brasileiro que comanda uma unidade militar na Ucrânia”, afirmou o correspondente ao detalhar o contexto de sua ausência nas plataformas digitais.
O jornalista reforçou que a postura do comandante não impedirá a continuidade de seu trabalho informativo na região de conflito. Sérgio Utsch enfatizou que a função do jornalismo é levar a verdade ao público, independentemente das pressões exercidas por figuras de autoridade. Ele pontuou que a reação do militar, baseada em ofensas públicas e ameaças privadas, demonstra uma tentativa de desviar o foco das graves denúncias apresentadas na reportagem original sobre o tratamento dispensado aos recrutas brasileiros.
Compromisso com a verdade e continuidade do trabalho de campo
Mesmo diante do cenário de risco, o profissional assegurou que manterá sua atuação profissional e a busca por dados concretos sobre o falecimento do recruta. “A gente vai continuar fazendo jornalismo. É isso que a gente sabe fazer. Nossa arma não é uma metralhadora, é a verdade. E eu tenho muito orgulho disso”, declarou Utsch, reiterando que o compromisso com a ética jornalística prevalece sobre o medo. A investigação segue acompanhada por órgãos internacionais e pela emissora, que monitora a segurança de seu colaborador no exterior.



