Marcos Oliveira expõe problemas financeiros e critica convivência no Retiro dos Artistas
Ator conhecido pelo papel de Beiçola fala sobre dívida bancária, questões de saúde e falta de afinidade com outros moradores da instituição
Marcos Oliveira, amplamente reconhecido por sua interpretação do personagem Beiçola na série A Grande Família, concedeu uma entrevista recente na qual detalhou sua atual realidade no Retiro dos Artistas. O ator reside na instituição localizada na zona oeste do Rio de Janeiro desde agosto do ano passado, ocupando uma casa que foi doada pela atriz Marieta Severo. Em conversa com a coluna Gente, da revista Veja, o artista de 69 anos abordou os motivos que o levaram a buscar moradia no local, além de expor seu descontentamento com certos aspectos da convivência coletiva e atualizar o público sobre seu estado de saúde e planos profissionais.
A mudança para o abrigo foi motivada por uma grave crise financeira desencadeada por um crime patrimonial sofrido pelo ator. Oliveira relatou que, após ter seus dados utilizados indevidamente por um terceiro, acumulou um passivo bancário de grande monta. Segundo o relato, o prejuízo financeiro ultrapassa meio milhão de reais, situação que inviabilizou sua permanência no antigo endereço. Sobre o episódio, ele explicou: “Cheguei aqui porque fui roubado em casa. Fui na delegacia, fiz um BO de uma pessoa que me assaltou. Fomos para a promotoria, que achou melhor não dar continuidade porque estaria correndo risco de vida. Fora isso, estou com uma dívida de mais de R$ 500 mil nos bancos, porque o cara que me assaltou tirou minha foto e pegou um empréstimo”.
Desafios na convivência diária
Ao descrever o cotidiano na instituição, o veterano apontou dificuldades de adaptação relacionadas ao comportamento dos demais residentes. Ele mencionou o barulho excessivo durante as refeições e a falta de etiquetas sociais que considera adequadas para o ambiente. Oliveira expressou seu incômodo com a postura dos colegas, utilizando termos contundentes para descrever a atmosfera do local. “Viver aqui é ótimo, só que tem que de adaptar. Aqui não tem uma conduta geral para conviver. E aí você vai e aguenta. Na hora do almoço, é uma refeição que eles falam pra car*lho. Gritam, a relação deles é gritar. É uma coisa meio… Eu falo assim, ‘você pode sair da favela, mas a favela nunca sai de você’”, declarou o ator.
Além das queixas sobre o barulho, Marcos Oliveira ressaltou que prefere manter-se mais reservado diante das atitudes que reprova nos vizinhos. Ele destacou que, na faixa etária dos 70 e 80 anos, percebe uma ausência de respeito mútuo e pouco interesse em interações sociais mais profundas, criticando também o teor das conversas, que julga estarem presas a épocas passadas. “O comportamento é muito mal-educado. Então eu fico quieto, vou lá, aguento numa boa, mas aqui, depois dos 70, 80 anos, não tem mais respeito, então f*da-se, deixa o pessoal falar. E eles não tem o hábito de um ir na casa do outro. Então eles preverem na hora da refeição fazer algum comentário. E só fala sobre o passado. E aí, bicho, eu não estou no passado”, pontuou.
Perspectivas de trabalho e saúde
Apesar das questões de convivência e dos desafios de saúde física, o artista enfatizou seu desejo de continuar ativo no mercado de trabalho. Ele mencionou a necessidade de realizar procedimentos médicos, como a operação de uma hérnia e cuidados contínuos com uma colostomia, mas reforçou que se sente apto para exercer sua profissão. Oliveira busca novas oportunidades e rejeita sentimentos de compaixão por sua condição atual. Ao finalizar o assunto, ele afirmou: “Quero discutir ideias do futuro. Não gosto da história de pena, tenho capacidade para produzir. Sei que tenho uma colostomia, uma hérnia, estou batalhando para ser operado, mas tenho condições. Quero produzir, trabalhar, não sou inútil”.



