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Munique elege Dominik Krause como primeiro prefeito gay da cidade

Dominik Krause, do Partido Verde, derrota o SPD após 42 anos no poder e assume prefeitura em cenário de aumento de crimes de intolerância no país.

A cidade de Munique, capital da Baviera e terceira maior metrópole da Alemanha, definiu um novo rumo político neste domingo ao eleger Dominik Krause. O político de 35 anos, filiado ao Partido Verde, torna-se o primeiro prefeito assumidamente homossexual da história da cidade. A vitória de Krause marca o fim de uma hegemonia do Partido Social Democrata (SPD), que administrava o município há 42 anos. O resultado do pleito ocorre em um momento paradoxal para o país, que observa a eleição de um representante da diversidade ao mesmo tempo em que enfrenta um crescimento estatístico nos casos de intolerância contra minorias sexuais.

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Foto: AP – Sven Hoppe

Durante a campanha eleitoral, a vida privada de Krause não foi utilizada como ferramenta de debate político, evidenciando uma mudança de postura na sociedade local. Físico formado pela Universidade Técnica de Munique e atuando como vice-prefeito desde 2023, o candidato focou suas propostas na ampliação de áreas verdes, construção de ciclovias e investimentos em moradia popular. A celebração da vitória contou com a presença de seu noivo, o médico Sebastian Müller, com quem trocou um beijo no palco, imagem que repercutiu na imprensa nacional sem gerar polêmicas durante a corrida eleitoral.

Foto: AP – Sven Hoppe

Evolução política nas metrópoles alemãs

A eleição de gestores homossexuais já possui precedentes nas grandes cidades alemãs, embora os contextos anteriores tenham sido marcados por maior tensão. Berlim e Hamburgo elegeram prefeitos gays no início do século, em cenários distintos do atual. Em 2001, Klaus Wowereit, então prefeito de Berlim, antecipou-se a uma possível exposição midiática sensacionalista com a declaração que se tornou célebre: “Ich bin schwul, und das ist auch gut so.” Já em Hamburgo, Ole von Beust enfrentou tentativas de chantagem sobre sua orientação sexual em 2003, mas conseguiu manter o apoio do eleitorado e garantir a governabilidade de seu partido.

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Apesar da naturalidade com que a orientação de Krause foi tratada no pleito de Munique, os dados nacionais de segurança pública indicam um cenário de alerta. O ano de 2025 registrou o maior número de delitos motivados por intolerância sexual na série histórica da Alemanha, totalizando 2.048 ocorrências. Desde 2010, esse tipo de violação aumentou dez vezes em todo o território alemão. O crescimento desses índices acompanha a ascensão de movimentos extremistas no país, gerando preocupação entre autoridades e organizações de direitos humanos.

Impactos na segurança e medidas governamentais

O clima de insegurança tem alterado a rotina de cidadãos e figuras públicas na Alemanha. O secretário-geral do SPD, Kevin Kühnert, afirmou evitar demonstrações de afeto em público em Berlim, enquanto a chefia de polícia da capital recomendou cautela em bairros específicos. Além disso, paradas do orgulho LGBTQIA+ foram canceladas em cidades como Regensburg e Gelsenkirchen devido a ameaças. No âmbito federal, o atual chanceler Friedrich Merz encerrou o plano de ação “Vida Queer”, que era o único projeto de financiamento nacional voltado para o suporte e proteção dessa população.

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