O plano do príncipe saudita para remodelar o Oriente Médio com apoio de Trump
Reportagem aponta que herdeiro saudita vê campanha militar como oportunidade histórica, apesar de riscos econômicos e de segurança na região
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, tem exercido pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a ofensiva militar no Irã seja mantida. A informação foi divulgada pelo jornal americano The New York Times nesta terça-feira, detalhando os bastidores das negociações entre os líderes. De acordo com fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pela publicação, bin Salman argumentou que a atual campanha militar representa uma “oportunidade histórica” para realizar uma remodelação geopolítica no Oriente Médio.
O conflito teve início no final de fevereiro, após o fracasso de negociações nucleares, resultando em ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano. Nas conversas mantidas ao longo da última semana, o líder saudita teria incentivado o republicano a desmantelar completamente a estrutura governamental de Teerã. As fontes relatam que o príncipe sugeriu operações terrestres e o envio de tropas americanas para assumir o controle da infraestrutura energética do país rival, visando forçar a queda do regime, classificando o Irã como uma ameaça de longo prazo para o Golfo.
Riscos para infraestrutura e economia
Apesar do incentivo à continuidade das hostilidades, a situação apresenta complexidades logísticas e de segurança para Riad. A Arábia Saudita utiliza estoques do sistema de defesa aéreo Patriot para se proteger da ofensiva iraniana, mas há escassez global desses interceptores. Altos funcionários americanos e sauditas demonstram receio de que um confronto prolongado exponha as instalações petrolíferas do reino a ataques, o que poderia gerar efeitos devastadores na economia local. Além disso, as ameaças ao Estreito de Ormuz já impactam o mercado, elevando o temor sobre a disparada nos preços do petróleo mundialmente.
Para tentar contornar os problemas de escoamento, sauditas e emiradenses têm recorrido a oleodutos alternativos para evitar o Estreito, embora essas rotas também sejam alvos de ataques. A postura agressiva de bin Salman, segundo analistas consultados pelo jornal, reflete um receio estratégico de que o Oriente Médio tenha que lidar com um Irã furioso caso os Estados Unidos decidam encerrar a guerra sem uma resolução definitiva. O temor é que a retirada americana sem o enfraquecimento total do adversário deixe os aliados regionais vulneráveis a retaliações futuras.
Posicionamento oficial e negativa
Pelas vias oficiais, o governo saudita nega as informações sobre a pressão pelo prolongamento do confronto. Em nota enviada ao The New York Times, Riad declarou que “o reino da Arábia Saudita sempre apoiou uma resolução pacífica para este conflito, mesmo antes de seu início”. O comunicado ressalta que as autoridades mantêm contato próximo com o governo Trump e que o compromisso permanece inalterado. A nota acrescenta que “nossa principal preocupação hoje é nos defender dos ataques diários contra nosso povo e nossa infraestrutura civil”, concluindo que o Irã optou por uma política de risco em vez de soluções diplomáticas.



