Sistema elétrico de Cuba é retomado em meio à crise de combustível e tensão com EUA
Serviço foi restabelecido no domingo, mas autoridades alertam que oferta segue baixa; país enfrenta escassez de recursos e pressão diplomática.
As autoridades cubanas confirmaram o restabelecimento do serviço de energia elétrica nacional neste domingo, dia 22. Este evento marca a superação do segundo apagão total registrado na ilha em um intervalo inferior a uma semana. A instabilidade no fornecimento ocorre em um cenário agravado pela escassez crítica de combustível e pelo bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos. De acordo com a empresa estatal de energia, dois terços da capital, Havana, já haviam recuperado a eletricidade durante a tarde, revertendo a desconexão total anunciada anteriormente pelo Ministério de Energia em um país que abriga cerca de 10 milhões de habitantes.
O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero Cruz, utilizou as redes sociais para comunicar o progresso nos trabalhos de recuperação da rede. Em sua declaração, ele pontuou: “Com o esforço dos nossos trabalhadores elétricos, conseguimos restabelecer o SEN (Sistema Elétrico Nacional)”. Apesar do retorno da luz, os oficiais do governo alertaram que a demanda por energia continua superior à capacidade de oferta atual. O colapso mais recente do sistema foi originado por uma falha técnica em uma unidade geradora de uma das oito usinas termelétricas do país, o que desencadeou um efeito dominó e derrubou a rede.
**Tensão geopolítica e preparação militar**
A crise energética acontece simultaneamente a um aumento na pressão diplomática e militar vinda de Washington. O presidente norte-americano, Donald Trump, impôs um bloqueio efetivo ao petróleo destinado a Cuba em janeiro e, na semana passada, mencionou a possibilidade de “tomar” a ilha. Diante desse cenário, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossio, afirmou à NBC que as forças armadas locais estão em alerta. “Nosso exército sempre está preparado. E, de fato, nestes dias se prepara para a possibilidade de uma agressão militar”, declarou o diplomata, acrescentando ainda: “Esperamos de verdade que isso não aconteça”. Havana reitera disposição para o diálogo, mas descarta mudanças em seu sistema político.
O fornecimento de recursos energéticos para a ilha sofreu um impacto severo após a interrupção das remessas da Venezuela, principal aliado regional. A situação deteriorou-se desde que o líder venezuelano Nicolás Maduro foi capturado em uma operação militar americana no dia 3 de janeiro. Desde o dia 9 de janeiro, Cuba não recebe carregamentos de petróleo, o que paralisou o setor elétrico e forçou a redução do transporte público e o cancelamento de voos, prejudicando o turismo.
**Impactos sociais e protestos na ilha**
Desde o início de 2024, o território cubano já registrou sete apagões de escala nacional. A frequência das interrupções no fornecimento elétrico tem gerado temor na população quanto à conservação de alimentos e medicamentos refrigerados, além de complicar a rotina em meio a uma grave crise econômica. A combinação entre a falta de luz e a escassez de produtos básicos resultou em manifestações populares, incluindo panelaços durante a noite. O governo busca alternativas para manter o funcionamento do país, enquanto a infraestrutura crítica permanece vulnerável à falta de insumos externos.



