Ensaio clínico da USP confirma eficácia de treino cerebral em idosos saudáveis
Pesquisa inédita no país revela ganhos de 45% na memória e redução de queixas cognitivas com protocolo de exercícios mentais
Uma investigação científica realizada por especialistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em colaboração com o Departamento de Gerontologia da EACH-USP, detectou avanços relevantes na saúde mental de idosos submetidos a um protocolo de exercícios cerebrais. O trabalho, divulgado no periódico International Psychogeriatrics, analisou os efeitos do método Supera e representa o primeiro ensaio clínico randomizado de longa duração focado em estimulação cognitiva com idosos saudáveis no país.
Os dados levantados indicam que os indivíduos que aderiram ao programa registraram uma diminuição de 60% nas reclamações sobre o funcionamento mental e um aprimoramento estimado em 45% na capacidade de memorização ao longo de um ano. Além dos ganhos nas funções executivas e na cognição global, houve uma redução de 29% nos indícios de quadro emocional delicado entre os participantes. A pesquisa monitorou idosos com escolaridade e sem comprometimento prévio das faculdades mentais.
Impacto na qualidade de vida e metodologia
A gerontóloga Thais Bento, autora principal do artigo, aponta que os desfechos sugerem melhorias abrangentes no cotidiano dos envolvidos, promovendo vantagens para o bem-estar geral. O estudo envolveu 207 voluntários com 60 anos ou mais, divididos aleatoriamente em três categorias: um grupo experimental submetido ao treino, um grupo de controle ativo que assistiu a aulas sobre envelhecimento e um grupo passivo sem intervenção. O monitoramento ocorreu durante dois anos, com avaliações periódicas para medir a evolução.
A estrutura da análise, classificada como randomizada, controlada e cega, confere alto rigor científico aos achados, sendo considerada referência em pesquisas de saúde. Além da memória, foram observados progressos em habilidades de planejamento, organização, tomada de decisões e fluidez na comunicação. Os autores ressaltam que tais práticas funcionam como uma estratégia preventiva não medicamentosa, auxiliando na preservação da autonomia e na manutenção da saúde mental durante o processo de envelhecimento.
Prevenção de fatores de risco na américa latina
Evidências debatidas na Alzheimer’s Association International Conference reforçam a relevância dessas intervenções, estimando que cerca de 45% dos casos de demência no mundo poderiam ser evitados com o controle de fatores de risco. Na América Latina, esse índice potencial de prevenção chega a 56%. A inserção do estudo brasileiro em uma publicação internacional de prestígio contribui para embasar políticas públicas voltadas à população idosa, preenchendo lacunas na literatura nacional sobre envelhecimento ativo.



