Equador em alerta máximo: 75 mil soldados nas ruas e toque de recolher decretado
Medida anunciada pelo ministro do Interior afeta quatro províncias e prevê prisão para quem descumprir regras de circulação noturna
O governo do Equador iniciou uma vasta operação de segurança pública mobilizando mais de 75 mil agentes, entre policiais e militares, para combater organizações criminosas. A ação concentra-se em quatro províncias específicas — Guayas, El Oro, Los Ríos e Santo Domingo de los Tsáchilas — onde foi instaurado um toque de recolher noturno a partir deste domingo (15/3). Segundo o ministro do Interior, John Reimberg, a medida terá duração inicial de 15 dias e visa intensificar o enfrentamento ao narcotráfico e restabelecer a ordem nessas regiões estratégicas do país, marcando um novo capítulo na política de defesa interna equatoriana.
Durante uma coletiva de imprensa, a autoridade detalhou o contingente envolvido na operação, destacando a integração entre a Polícia Nacional e as Forças Armadas. O ministro enfatizou a rigidez das novas regras, alertando que o desrespeito às restrições de circulação resultará em consequências legais severas. Em coordenação com o Ministério Público e o Judiciário, ficou estabelecido que os cidadãos que violarem o toque de recolher estarão sujeitos a penas de privação de liberdade que variam de um a três anos. Reimberg foi enfático ao descrever a gravidade da situação atual e a necessidade de colaboração civil: “Estamos em guerra. Não corram riscos, não saiam de casa, fiquem em casa”.
Cooperação internacional e medidas de segurança
A intensificação das ações de segurança ocorre na sequência de compromissos diplomáticos de alto nível. Neste mês, o presidente equatoriano, Daniel Noboa, esteve na Flórida para participar da cúpula denominada “Escudo das Américas”, onde se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros líderes da América Latina e do Caribe. O encontro teve como pauta central o fortalecimento da cooperação regional contra o crime organizado transnacional e o fluxo de substâncias ilícitas, buscando estratégias conjuntas para desarticular as redes logísticas que operam no continente e ameaçam a estabilidade das nações envolvidas.
Após a reunião bilateral, Noboa utilizou suas redes sociais para divulgar uma imagem ao lado do líder norte-americano e reforçar o posicionamento de seu governo contra as facções criminosas. A publicação serviu como um comunicado direto sobre a nova postura adotada pelo Equador frente à criminalidade que afeta a região. Na legenda da fotografia, o chefe de Estado equatoriano escreveu: “Por muito tempo, as máfias pensaram que a América era seu território. Que podiam cruzar fronteiras, traficar drogas, armas e violência sem consequências. O tempo delas acabou.”
Estratégias de combate ao crime organizado
A operação conta com um planejamento logístico robusto para cobrir as áreas designadas e garantir a eficácia do decreto. O Ministério do Interior informou que, além do efetivo total mobilizado, há um contingente específico de policiais prontos para intervir imediatamente nas zonas sob decreto de exceção. A declaração de conflito aberto contra os cartéis reflete uma mudança na política de segurança pública do país, priorizando a ocupação territorial pelas forças do Estado. O ministro John Reimberg reiterou que a ação de “Mais de 75 mil membros das forças, incluindo a Polícia Nacional e as Forças Armadas, foram mobilizados nas quatro províncias onde atuaremos” é uma resposta direta à necessidade de recuperar a soberania nas áreas afetadas.


