Talíria Petrone aciona Polícia Federal após receber novas ameaças e ofensas
Parlamentar do PSOL relata intimidações há sete anos e pede audiência com diretor-geral Andrei Rodrigues para cobrar investigações
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) recorreu à Polícia Federal nesta sexta-feira para reportar novas intimidações de teor letal, além de mensagens contendo injúrias raciais e misoginia. A parlamentar solicitou formalmente uma reunião com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, visando discutir a gravidade da situação e cobrar medidas efetivas. Segundo o relato apresentado, as perseguições persistem há aproximadamente sete anos sem que os responsáveis tenham sido devidamente identificados ou punidos pelas autoridades competentes, o que motiva o novo pedido de auxílio à instituição federal.
Na investida mais recente, recebida pela manhã, o autor das mensagens ataca diretamente a etnia da legisladora, afirmando que sua “pele” seria algo que “suja o Congresso Nacional”. O conteúdo prossegue com diversas ofensas discriminatórias, classificando a vítima como “escória racial inferior” e “selvagem”. Além dos ataques pessoais, o agressor critica a atuação política de Talíria em prol de leis afirmativas e direitos da população LGBTQIAPN+, rotulando essas pautas como “discursos de vítima”. O racismo, conforme a legislação brasileira, é crime inafiançável e imprescritível.
Teor das mensagens e riscos à segurança
O teor das comunicações enviadas à deputada apresenta níveis elevados de hostilidade, incluindo menções à segurança de seus filhos e descrições minuciosas de um suposto plano para atentar contra sua existência. O autor da mensagem demonstra conhecimento sobre a residência e a cidade natal da parlamentar, ameaçando executar “cada detalhe” do plano descrito caso ela não renuncie ao cargo e “suma do mapa”. Talíria destaca que a frequência e o teor das mensagens, muitas vezes associadas a grupos paramilitares do Rio de Janeiro, geram um ambiente de constante insegurança para o exercício pleno do mandato.
Para a deputada, a virulência dos termos empregados reflete a propagação de ódio contra mulheres em ambientes virtuais, fenômeno impulsionado por grupos extremistas ligados ao movimento conhecido como “red pill”. Diante da reincidência dos fatos, a parlamentar enfatizou a necessidade de resposta estatal. “É um histórico de ameaça e impunidade. A gente tem alguns inquéritos em aberto que, infelizmente, por diversos motivos, não tem responsabilização dos criminosos. Isso é uma autorização para que os crimes continuem acontecendo”, declarou Talíria Petrone sobre a situação.
Histórico de violência política e ações anteriores
A busca por providências não é inédita na trajetória da parlamentar, que em 2024, durante sua candidatura à prefeitura de Niterói, já havia contabilizado mais de dez ameaças contra a vida contendo dados de sua esfera privada. Naquela ocasião, Petrone reuniu-se com a ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para cobrar celeridade nas investigações sobre violência política. A nova denúncia à Polícia Federal busca romper o ciclo de agressões e garantir a integridade física necessária para a continuidade de suas atividades legislativas.



