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Unicef aponta média de dez crianças vítimas fatais por dia no Líbano

Dados do Unicef indicam que conflito já deslocou centenas de milhares de pessoas e vitimou centenas desde o início de março

A crescente ofensiva de Israel no território libanês tem resultado na perda de vida de mais de dez crianças diariamente. De acordo com informações divulgadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pelo menos 83 menores faleceram desde que as operações militares foram iniciadas na região. O agravamento do cenário ocorreu após o grupo Hezbollah disparar projéteis contra o território israelense, em uma reação aos bombardeios conjuntos realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, conforme comunicado da agência da ONU na segunda-feira.

Dados compilados pela Unidade de Gerenciamento de Riscos de Desastres indicam que, no total, 570 pessoas faleceram desde o dia 2 de março. As forças de Israel emitiram ordens de retirada que abrangem vastas áreas habitadas, incluindo todas as comunidades situadas ao sul do rio Litani. Essas determinações forçaram o deslocamento de aproximadamente 760 mil cidadãos, um contingente que representa cerca de 13% da população total do Líbano, estimada em 5,9 milhões de habitantes.

Impacto nos grupos vulneráveis e abrigos

Organizações de ajuda humanitária relatam que idosos e mulheres gestantes enfrentam dificuldades significativas para realizar as longas jornadas até os abrigos improvisados. Muitos desses locais carecem de privacidade adequada, o que exacerba o risco de violência de gênero contra mulheres e meninas. A situação impõe desafios severos para a população civil que busca refúgio das áreas de conflito, criando um cenário de precariedade para os deslocados internos que necessitam de assistência imediata.

Um oficial de direitos humanos alertou que elementos da campanha militar atual espelham táticas observadas anteriormente, destinadas a “aterrorizar civis” e “interromper operações humanitárias”. A comparação é feita com a ofensiva realizada em Gaza, onde as ações militares após os ataques de outubro tornaram o território praticamente inabitável e resultaram em pelo menos 72.095 vidas perdidas, segundo dados do Ministério da Saúde local.

Análise de organizações humanitárias

Steve Cutts, CEO da organização não governamental britânica Medical Aid for Palestinians, comentou sobre as semelhanças entre as estratégias militares aplicadas nas diferentes regiões. Em um comunicado divulgado na sexta-feira, ele afirmou: “O que estamos testemunhando no Líbano é a extensão inconfundível da cartilha militar israelense usada em Gaza – punição coletiva, deslocamento forçado e o terror deliberado de populações civis, incluindo comunidades palestinas já traumatizadas”.

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