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Disputa por bosque na Asa Norte paralisa obra de quadras de tênis

Grupo interrompeu poda em lote entre as quadras 715 e 716; reunião com o Ibram definirá futuro da área verde disputada por construtora

Uma mobilização de residentes da Asa Norte, em Brasília, resultou na interrupção temporária da supressão vegetal em uma área localizada entre as quadras 715 e 716. O episódio ocorreu na manhã desta sexta-feira (6/3), marcando a segunda vez que a comunidade interveio para impedir o corte de árvores em um bosque situado no local. O terreno em questão foi adquirido pela empresa paulistana Fast Tenis, que possui planos para a construção de quadras esportivas na área. Contudo, os vizinhos do lote defendem a preservação do espaço verde e questionam os impactos que o empreendimento poderá causar na rotina da vizinhança local.

As atividades da empresa no local tiveram início na quarta-feira (4/3), mas foram paralisadas no dia seguinte devido aos protestos dos moradores. Na sexta-feira, o proprietário tentou retomar o trabalho de poda, o que gerou nova reação da comunidade. Diante do impasse estabelecido entre as partes, equipes do 3º Batalhão da Polícia Militar (3º BPM) e do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) foram acionadas para comparecer ao local. A situação foi pacificada após a intervenção da prefeita comunitária Cláudia Virginia, que propôs um acordo para suspender o corte das árvores até a realização de uma reunião com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), agendada para a próxima terça-feira (10/3).

Acordo temporário e reivindicações

A liderança comunitária enfatizou a necessidade de verificar a regularidade do processo antes de qualquer intervenção irreversível na vegetação. Cláudia Virginia destacou que o objetivo é garantir que todos os trâmites legais estejam sendo respeitados. “A gente quer que não mexa nas árvores até que sabermos se está tudo dentro da legalidade. Se estiver dentro dos parâmetros legais, realmente a gente não pode fazer nada”, declarou a prefeita. Ela reconheceu que, embora o bosque seja estimado pelos moradores, existe a questão da propriedade privada que deve ser considerada. “Vamos verificar a legalidade. O proprietário tem seus direitos, como a comunidade também tem direitos”, pontuou.

Além das questões ambientais, existem preocupações sobre a destinação original do lote e o impacto na qualidade de vida. O professor Felipe Estre, que reside na quadra, argumentou que o terreno seria destinado à construção de uma creche e alertou sobre a poluição luminosa. “Vão ter holofotes de 8 metros voltados para o prédio. Vai causar impacto e incômodo para a vizinhança”, afirmou. O morador também expressou receio de que a vegetação seja removida antes da aprovação final do projeto. “A gente não quer que cortem essas árvores e depois a obra não seja aprovada e a gente perca nosso bosque, por causa de nada”, completou Estre.

Argumentos da construtora e licenciamento

Por outro lado, o representante da construtora LM Reformas e Construções e da Fast Tenis, Eduardo Viana de Sousa Lacerda, assegurou que as ações realizadas até o momento possuem respaldo documental. Segundo o empresário, a atividade atual não se configura como início de edificação. “A gente não está mexendo com obra nenhuma. A gente está fazendo a limpeza de um terreno privado”, explicou. Lacerda informou que a empresa pretende remover apenas mais uma mangueira e se comprometeu a replantar três árvores para cada exemplar retirado. Após a reunião com o órgão ambiental, o plano é cercar o lote com tapumes para delimitar a propriedade.

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