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Hugo Motta anuncia votação da PEC da Segurança sem item da maioridade penal

Presidente da Câmara confirma acordo para votar texto sem previsão de consulta popular sobre redução da idade penal de 18 para 16 anos

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança será submetida a votação nesta quarta-feira, dia 4 de março de 2026. A decisão ocorre após a definição de que o texto não incluirá a previsão de um referendo popular sobre a redução da maioridade penal. A medida visa acelerar a aprovação da pauta estrutural de segurança pública, desvinculando-a, neste momento, do debate sobre a alteração na idade de responsabilidade criminal.

A estratégia foi definida após intensas negociações entre a presidência da Casa, líderes partidários e o relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE). O objetivo do acordo é garantir que a PEC da Segurança possa tramitar tanto na comissão especial quanto no plenário sem os entraves políticos que a questão da maioridade penal poderia provocar. Dessa forma, o foco permanece nas reestruturações do sistema de segurança, enquanto o tema da idade penal será deslocado para uma discussão legislativa independente.

Acordo entre lideranças

Durante o anúncio, Hugo Motta explicou que a retirada do trecho foi necessária para viabilizar o consenso em torno da proposta principal. O parlamentar esclareceu que o relator havia incluído a possibilidade de consulta pública no relatório inicial, mas que o entendimento final optou pela separação dos temas. Segundo o presidente da Câmara, “Acertamos com o relator que o ponto inerente à discussão sobre o referendo da redução da maioridade penal, que o relator até então estava contemplando em seu relatório e foi um ponto que surgiu ao longo da discussão da matéria, será tratado em uma matéria à parte”.

Ainda segundo o deputado, a relevância da redução da maioridade penal exige um debate aprofundado, mas sua inclusão no mesmo texto poderia comprometer o andamento das mudanças estruturais urgentes na segurança pública. Motta reforçou que a complexidade de cada assunto demanda tramitações específicas para que ambos recebam a devida atenção legislativa. Ele pontuou a dificuldade de conciliação imediata ao afirmar: “Porém, (não foi possível) trazer um tema como esse para uma pauta estrutural, como é a pauta da segurança.”

Tramitação da proposta

Com a exclusão do dispositivo que previa o referendo, a proposta de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos deixa de ser um apêndice da PEC da Segurança e passa a ser gerida como uma matéria autônoma. A manobra regimental permite que a Câmara avance com as diretrizes de segurança pública propostas pelo governo e pelo Legislativo, sem que a polarização em torno da idade penal trave o processo. A expectativa é que a votação ocorra de forma célere, seguindo o cronograma estabelecido pela presidência para esta quarta-feira.

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