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Conflito no Oriente Médio: ONU prevê evacuação se usinas forem atingidas

Agência da ONU teme liberação radiológica grave com escalada de tensão entre Irã, Israel e Estados Unidos na região

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), emitiu um comunicado nesta segunda-feira (2) sobre os perigos da intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A entidade destacou a possibilidade real de uma evacuação em massa em cidades do Oriente Médio, caso as instalações nucleares situadas na região sejam atingidas por bombardeios. O alerta surge em um momento de tensão elevada, onde a segurança radiológica se torna uma preocupação central para a comunidade internacional diante das recentes trocas de ofensivas militares.

Diversos países da região abrigam infraestrutura nuclear sensível que pode ser comprometida. Os Emirados Árabes Unidos operam quatro reatores, enquanto a Síria e a Jordânia mantêm reatores voltados para pesquisa. A Arábia Saudita e o Catar também utilizam tecnologia nuclear, principalmente para fins energéticos. Recentemente, estes territórios foram alvo de mísseis iranianos, lançados como resposta às ações militares norte-americanas, o que elevou o temor de um desastre radiológico acidental ou intencional decorrente das hostilidades em curso.

Riscos de radiação e apelo diplomático

O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, enfatizou a gravidade do cenário atual e a necessidade de cautela. Em declaração oficial, ele afirmou: “A AIEA possui amplo conhecimento sobre a natureza e localização de material nuclear e radiológico na região. Permitam-me ressaltar que a situação atual é muito preocupante. Não podemos descartar uma possível liberação radiológica com consequências graves, incluindo a necessidade de evacuar áreas tão grandes ou maiores que grandes cidades”. Grossi reforçou a importância do diálogo: “O uso da força está presente nas relações internacionais desde tempos imemoriais. Isso é uma realidade. Mas é sempre a opção menos preferida. Continuo convencido de que a solução duradoura para essa discórdia de longa data está na mesa diplomática. Diplomacia é difícil e a diplomacia nuclear é ainda mais difícil, mas nunca é impossível. Não é uma questão de se, mas de quando, nos reuniremos novamente naquela mesa diplomática – e simplesmente devemos fazer isso o mais rápido possível”.

O cenário bélico se agravou após uma operação conjunta entre Israel e Estados Unidos no sábado (18), que resultou em mais de 500 vítimas fatais. A ação ocorreu durante tentativas de negociação sobre o programa nuclear iraniano. O histórico de tensões remonta a 2018, quando Donald Trump rompeu o acordo estabelecido em 2015, alegando que os termos beneficiavam excessivamente Teerã. Desde então, o Irã ampliou o enriquecimento de urânio. Recentemente, Trump acusou o país de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, justificando a retomada dos bombardeios após encontros diplomáticos na Suíça não resultarem em um consenso imediato.

Operações militares e impasse político

Em resposta às ofensivas, Teerã lançou mísseis contra Israel e bases norte-americanas, prometendo retaliações diretas aos EUA. O presidente norte-americano declarou que as operações continuarão até que os objetivos militares sejam atingidos e prometeu resposta ao falecimento de três militares durante os contra-ataques. Trump emitiu um ultimato: “Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”. Embora o líder norte-americano tenha mencionado à imprensa um suposto interesse da nova liderança iraniana em negociar, o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, rejeitou publicamente a possibilidade de diálogo com Washington neste momento.

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