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E-mail vazado revela crise na contratação de milhares de agentes do ICE

Mensagem interna indica que volume de 12 mil contratações dificulta checagem de conduta e antecedentes no órgão de imigração americano.

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) enfrenta obstáculos operacionais para realizar a triagem adequada de seus novos contratados. De acordo com um e-mail interno obtido pela agência de notícias Reuters, a instituição está implementando processos específicos para lidar com alegações de má conduta envolvendo os recém-chegados. O cenário de dificuldades ocorre em meio a uma expansão acelerada do órgão, que registrou a admissão de 12 mil agentes apenas no ano de 2025.

A comunicação enviada aos supervisores da divisão de Operações de Execução e Remoção alerta que o grande volume de contratações e a demora nas verificações de antecedentes podem gerar incertezas nos escritórios regionais. O texto destaca a preocupação com denúncias referentes a ações anteriores ao ingresso dos agentes no ICE. Para mitigar riscos, foi determinado que quaisquer alegações sejam imediatamente encaminhadas à Unidade Interna de Investigações de Integridade para análise detalhada.

Diretrizes sobre investigação de conduta

O comunicado detalha os procedimentos caso surjam dados negativos sobre o histórico dos novos servidores. A orientação textual é clara: “Caso um escritório de campo receba informações depreciativas sobre a conduta de um funcionário recém-contratado antes de ingressar na ERO (por exemplo, demissão ou pedido de demissão em vez de demissão de outra agência policial por má conduta), encaminhe o assunto à IIU”. O Departamento de Segurança Interna, que engloba o ICE, confirmou a adição dos 12 mil novos agentes ao contingente anterior de 10 mil, o que levantou debates sobre a qualidade da seleção.

Além dos desafios internos de recrutamento, o Departamento de Segurança Interna (DHS) entrou em paralisação parcial em 14 de fevereiro devido a divergências no Congresso. O impasse legislativo gira em torno de propostas da oposição para impor novas regras de atuação aos agentes de imigração, similares às aplicadas a policiais locais, como a proibição do uso de máscaras em abordagens. Parlamentares republicanos, por sua vez, argumentam que tais restrições colocariam as forças de segurança em risco operacional.

Continuidade das operações e orçamento

Mesmo sem a aprovação completa do orçamento para o DHS, as atividades de deportação e fiscalização de fronteiras não foram interrompidas. A manutenção desses serviços é garantida por uma fonte separada de recursos, superior a US$ 135 bilhões, aprovada anteriormente em um pacote orçamentário. O presidente Donald Trump afirmou estar em diálogo com os congressistas para resolver a situação, criticando as exigências democratas e reforçando a necessidade de proteção aos agentes federais durante o período de negociações.

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