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Alerta máximo em Juiz de Fora: rio transborda e moradores ignoram perigo

Defesa Civil alerta para risco de retorno às casas após Rio Paraibuna atingir cota máxima; buscas por desaparecidos continuam em Minas Gerais

As tempestades que atingiram a cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira, agravaram severamente a situação no município. O volume de água fez com que o Rio Paraibuna atingisse sua cota máxima de quatro metros, provocando inundações e novos deslizamentos de terra em diversas regiões. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foram registrados 113 mm de precipitação apenas na quarta-feira, elevando o acumulado de fevereiro para 733 mm, o que representa 4,3 vezes a média histórica esperada para o mês. O balanço oficial das autoridades confirma que o número de vítimas fatais subiu para 43 na cidade, somando-se a outros seis falecimentos registrados em Ubá, totalizando 49 óbitos na região devido aos eventos climáticos recentes.

Durante o período mais crítico das chuvas, o Corpo de Bombeiros atuou intensamente, registrando oito colapsos estruturais em residências e edificações. As equipes de resgate conseguiram salvar 12 pessoas com vida nessas ocorrências, sendo que a maioria dos locais afetados já se encontrava interditada preventivamente. Novas vias públicas precisaram ser bloqueadas, com destaque para a região do Graminha, onde o solo encharcado apresenta instabilidade. O cenário exige cautela extrema, e as autoridades locais decretaram estado de calamidade pública diante da magnitude dos danos e do número elevado de desabrigados e desalojados, que já somam 2.593 pessoas em toda a área afetada.

Alerta sobre retorno às áreas de risco

Uma das maiores preocupações das autoridades é a insistência de alguns moradores em voltar para imóveis situados em zonas de perigo iminente. O coordenador da Defesa Civil Estadual, Coronel Rezende, enfatizou a necessidade de evacuação imediata e a manutenção do isolamento dessas áreas, visto que o solo permanece instável e há previsão de novos temporais. Em pronunciamento oficial, Rezende fez um apelo direto à população para que não se coloque em situação de vulnerabilidade. “— Ainda há previsão de mais chuva. Quem está em área de risco, e sabe que está em área de risco, deve sair imediatamente. Temos relatos de pessoas que já haviam deixado esses locais e estão retornando. Não façam isso. Priorizem suas vidas —”, declarou o coordenador.

No bairro Três Moinhos, que foi totalmente evacuado na terça-feira, a atmosfera é de desolação, com ruas vazias assemelhando-se a uma cidade fantasma. Apesar das ordens de saída, equipes da polícia e da Defesa Civil continuam patrulhando o local com megafones para alertar eventuais remanescentes. Na noite de quarta-feira, um casal de idosos foi retirado de sua residência após denúncias de vizinhos; inicialmente resistentes, eles foram convencidos pelos agentes a deixar o imóvel para garantir sua segurança. A resistência em abandonar o patrimônio, mesmo diante do risco de colapso, tem sido um desafio constante para as equipes de socorro que operam na região.

Relatos de moradores e balanço das buscas

Quem vive nas proximidades observa com apreensão o comportamento de vizinhos e a força inédita das águas. Maria Aparecida, de 69 anos, residente no bairro vizinho de Vitorino Braga, comentou sobre a dificuldade de convencer as pessoas a deixarem suas casas e a magnitude do evento climático. “– O pessoal aqui é muito teimoso, e tem gente que voltou para casa –“, disse ela, acrescentando sobre a tempestade: “– Com 19 anos eu vim para cá, e nunca tinha visto uma chuva assim.” Até o momento, mais de 230 pessoas foram resgatadas com vida desde o início da operação, mas as equipes de busca ainda trabalham para localizar 18 pessoas que constam na lista de desaparecidos.

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