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Filho de Nelson Rodrigues e fundador do Bloco dos Barbas falece aos 79 anos

Dramaturgo e ativista político lidava com sequelas de um acidente vascular cerebral desde 2016 e foi homenageado pelo Fluminense

O dramaturgo e produtor cultural Nelson Rodrigues Júnior, conhecido popularmente como Nelsinho Rodrigues, faleceu na madrugada desta quarta-feira, dia 25 de fevereiro, na cidade do Rio de Janeiro. Aos 79 anos, o artista vinha enfrentando um quadro de saúde debilitado e lidava com as sequelas deixadas por um acidente vascular cerebral (AVC) que sofreu em 2016. A confirmação do falecimento foi inicialmente veiculada pela coluna do jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, repercutindo rapidamente entre a classe artística e admiradores de sua trajetória no cenário cultural brasileiro.

Durante sua carreira, Nelsinho desempenhou diversas funções no meio artístico, atuando como diretor de teatro, roteirista e produtor cultural. Um de seus legados mais notáveis foi a fundação do Bloco dos Barbas, criado em 1985, que se tornou um símbolo da retomada do carnaval de rua no Rio de Janeiro. O cortejo, que tradicionalmente desfila pela Rua Álvaro Ramos, reuniu ao longo das décadas jornalistas, intelectuais e artistas da região, consolidando-se por suas marchinhas de teor irônico e ácido, frequentemente abordando temas políticos e críticas sociais pertinentes ao contexto brasileiro de cada época.

Militância durante a ditadura

A trajetória de Nelsinho também foi marcada por um intenso envolvimento político, especificamente durante o período do regime militar no Brasil. Ele integrou o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), uma organização de resistência política, o que resultou em sua detenção por um período de sete anos. Em declarações sobre esse capítulo de sua vida, o dramaturgo chegou a afirmar que sua sobrevivência durante o cárcere foi atribuída ao fato de ser filho de Nelson Rodrigues, um dos autores mais consagrados da dramaturgia nacional, o que lhe conferiu uma espécie de proteção contra destinos mais trágicos.

Além da política e das artes cênicas, Nelsinho nutria uma grande paixão pelo futebol, sendo torcedor declarado do Fluminense, assim como seu pai. A agremiação esportiva manifestou seu pesar pelo falecimento do ilustre torcedor através de publicações em seus canais oficiais de comunicação. O clube destacou a relevância de Nelsinho não apenas como um aficionado pela equipe, mas também como uma figura central na cultura carioca, ressaltando suas contribuições para o teatro e para a festividade popular do carnaval, que ajudou a revitalizar na década de 1980.

Nota oficial do fluminense

Em nota divulgada nas redes sociais, o clube carioca prestou suas últimas homenagens ao dramaturgo, relembrando suas múltiplas facetas profissionais e seu amor pelas cores do time. O texto publicado pela instituição ressaltou: “Apaixonado pelo Fluminense, assim como o pai, Nelsinho era diretor teatral, produtor cultural, roteirista e foi figura importante pro carnaval de rua carioca”. A mensagem de despedida da agremiação foi encerrada com palavras de solidariedade aos entes queridos do artista neste momento de luto: “O Fluminense Football Club lamenta profundamente a partida de Nelsinho Rodrigues e deseja muita força à família, aos amigos e fãs”.

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