Encontro decisivo em Brasília define futuro dos pagamentos acima do teto
Reunião convocada pelo presidente do STF antecede julgamento sobre decisão de Flávio Dino que limitou repasses conhecidos como penduricalhos
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, organizou um encontro na manhã desta terça-feira (24) com as lideranças do Congresso Nacional em Brasília. Foram convidados para um café da manhã institucional os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A pauta central da reunião envolve a discussão sobre a suspensão de verbas de caráter indenizatório, popularmente conhecidas como “penduricalhos”, que elevam os ganhos de servidores acima do teto constitucional. Também participam das tratativas os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino, autores das recentes determinações judiciais que restringiram esses repasses financeiros no funcionalismo público.
A agenda ocorre na véspera de o plenário da Corte deliberar sobre a decisão liminar de Flávio Dino. O ministro estabeleceu, no início do mês, um prazo de 60 dias para que os Três Poderes realizem uma revisão completa desses pagamentos, eliminando aqueles sem justificativa ou previsão legal clara. Além disso, foi determinado que o Congresso Nacional aprove uma legislação geral para regulamentar o tema. O teto atual do funcionalismo é de R$ 46.366,19, e as gratificações sob análise servem, em tese, para compensar despesas do exercício da função ou ressarcir direitos, mas acabam somadas aos vencimentos mensais dos servidores.
Novas restrições impostas por Gilmar Mendes
Na noite anterior ao encontro, segunda-feira (23), o ministro Gilmar Mendes ampliou o escopo das restrições ao determinar que verbas indenizatórias destinadas ao Poder Judiciário e ao Ministério Público só podem ser pagas se houver previsão em lei aprovada pelo Congresso Nacional. A decisão liminar estipula um período de transição: 60 dias para a interrupção de pagamentos baseados em leis estaduais e 45 dias para aqueles instituídos por atos administrativos ou normativos secundários. O magistrado reforçou que a Constituição Federal vincula os subsídios da magistratura a 90% da remuneração dos ministros do STF, mecanismo criado para evitar disparidades.
A fundamentação apresentada pelo decano da Corte aponta que a regra constitucional visa assegurar a independência do Judiciário, impedindo que a definição salarial fique sujeita a decisões políticas estaduais. Segundo o entendimento do relator, permitir que cada tribunal institua novas verbas por meio de decisões administrativas ou projetos locais fere o princípio da isonomia e o caráter nacional da carreira. Dessa forma, reajustes nos subsídios da Corte Suprema devem impactar automaticamente a remuneração dos juízes, sem a necessidade de complementos criados regionalmente que gerem distorções entre os entes da federação.
Posicionamento das entidades representativas
Antes da movimentação processual desta semana, Flávio Dino reuniu-se com representantes de juízes, membros do Ministério Público e tribunais de contas para ouvir as demandas das categorias. Durante o encontro, que se estendeu por mais de duas horas, nove entidades apresentaram argumentos contra as restrições imediatas. As associações alegaram que os subsídios atuais estariam defasados e defenderam que alguns dos chamados “penduricalhos” poderiam ser regularizados. Outro ponto destacado pelas categorias é a existência de regras fiscalizatórias já estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Conselho Nacional do Ministério Público, que atuariam no controle de eventuais irregularidades.


