Bloqueio de energia: Cuba faz grave acusação contra os Estados Unidos
Bruno Rodríguez afirma na ONU que ações americanas visam punição coletiva; Nações Unidas alertam para risco de colapso total dos serviços essenciais
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou nesta segunda-feira, 23, durante uma conferência em Genebra, na Suíça, que o governo dos Estados Unidos está implementando um bloqueio energético deliberado contra a ilha. Segundo o diplomata, a estratégia norte-americana tem como objetivo desencadear uma “catástrofe humanitária” no país caribenho. Rodríguez argumentou que Washington utiliza o pretexto de que Havana representa um risco à segurança nacional para justificar medidas que intensificam a escassez de combustíveis e provocam frequentes apagões, caracterizando essas ações como uma forma de punição coletiva contra a população local, que já enfrenta dificuldades severas no abastecimento.
O cenário diplomático entre os dois países tornou-se mais tenso nos últimos meses devido à intensificação do embargo. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem exercido forte pressão sobre nações que tradicionalmente fornecem energia para a ilha, como Venezuela e México, exigindo a suspensão do envio de petróleo. A situação se agravou em janeiro, após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, momento em que a Casa Branca classificou Cuba como uma “ameaça extraordinária”. Apesar das advertências dos EUA, o governo mexicano enviou dois navios com mais de 800 toneladas de ajuda, e a Espanha anunciou o fornecimento de alimentos e medicamentos para mitigar os impactos na região.
Escalada das tensões diplomáticas
Em seu pronunciamento, o chanceler cubano refutou veementemente as classificações impostas pela Casa Branca. Rodríguez afirmou que “Cuba não constitui ameaça para os Estados Unidos nem adota políticas expansionistas ou militares contra outras nações”, contrapondo a postura de Washington na América Latina. Durante sua fala no Conselho de Direitos Humanos, ele classificou as sanções como “criminosas e ilegais” e assegurou que o governo de Havana fará o possível para evitar uma crise humanitária de grandes proporções, mesmo que isso resulte em maiores privações econômicas para o país. A defesa cubana sustenta que a narrativa hostil norte-americana visa desestabilizar os regimes de esquerda na região do Caribe.
A rápida deterioração das condições de vida na ilha gerou alertas na Organização das Nações Unidas (ONU). O secretário-geral da entidade, António Guterres, advertiu sobre o risco iminente de um “colapso humanitário” caso o fluxo de petróleo não seja normalizado. O porta-voz da organização, Stéphane Dujarric, detalhou que a falta de energia compromete serviços vitais, como o funcionamento de hospitais, o sistema de transporte e a distribuição de água. Dujarric reforçou a gravidade do cenário ao declarar: “O secretário-geral está muito preocupado com a situação humanitária em Cuba, que pode se agravar severamente — ou mesmo entrar em colapso — se suas necessidades de petróleo não forem atendidas”.
Mobilização de ajuda internacional
Diante da gravidade da situação, diversos grupos internacionais iniciaram uma rede de solidariedade para apoiar a população cubana. Sindicatos, movimentos sociais e organizações humanitárias organizaram o envio de um comboio com itens essenciais, programado para chegar ao país até o dia 21 de março. A remessa inclui suprimentos médicos, alimentos e outros recursos básicos, em uma tentativa de amenizar os efeitos da escassez provocada pelas restrições comerciais. Essa mobilização externa surge como uma resposta direta às dificuldades enfrentadas pelos civis, buscando suprir as lacunas deixadas pelo déficit na importação de insumos fundamentais para a subsistência na ilha.



