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Autora de laudo contra padre Júlio Lancellotti se filia a partido ligado ao MBL

Jacqueline Tirotti disputará vaga na Assembleia do DF; laudo anterior foi contestado por especialistas que apontaram manipulação digital

Jacqueline Tirotti, responsável técnica por um laudo pericial que visava incriminar o padre Júlio Lancellotti, oficializou sua entrada na vida política partidária. A perita ingressou nos quadros do partido Missão, legenda fundada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), e divulgou sua intenção de concorrer a uma vaga de deputada no Distrito Federal nas eleições de 2026. O anúncio ocorre após a controvérsia envolvendo a análise de um vídeo utilizado politicamente contra o religioso, caso que ganhou repercussão nacional e envolveu disputas de narrativas técnicas sobre a veracidade das imagens apresentadas.

O documento elaborado por Tirotti e seu pai, Reginaldo Tirotti, serviu de base para que o vereador Rubinho Nunes tentasse instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo. Contudo, uma contraprova técnica solicitada por veículos de imprensa e realizada por Mário Gazziro, professor da UFABC e especialista em computação forense, indicou que o material audiovisual apresentava sinais de manipulação digital. A análise apontou o uso de tecnologias de *deepfake* e montagens para simular videochamadas, descreditando a acusação inicial de que o religioso estaria envolvido em condutas impróprias.

Filiação partidária e justificativas

Em suas redes sociais, Jacqueline comentou a decisão de ingressar na esfera eleitoral, admitindo receio inicial devido à sua atuação profissional e à exposição recente. “Tomei coragem e me filiei ao partido Missão. Eu tinha vontade de entrar para a política, não me sentia representada por nenhum partido, mas simpatizava com o MBL, que ainda não tinha um partido”, declarou a agora pré-candidata. Ela acrescentou sobre suas preocupações: “Fiquei com medo, pois vivo de perícias e essa exposição pode me levar a perder a simpatia de muitos”. Seu pai, sócio na empresa de perícia, também possui histórico de engajamento político e participação em atos na capital federal.

A análise independente que desmentiu a acusação apontou falhas técnicas graves no vídeo original utilizado pelo grupo político. Segundo o especialista Mário Gazziro, a inserção de elementos gráficos foi determinante para identificar a fraude no material. “O que realmente prova que não se trata do padre (Júlio) é a edição para inserção dos ícones do WhatsApp”, afirmou o perito na ocasião. Ele explicou que, se a gravação fosse autêntica, os ícones não apareceriam como artefatos de edição. Além disso, Gazziro destacou que “a aparência final foi de algo tosco, mas na verdade esse vídeo foi muito bem-produzido pra evitar análises forenses”.

Arquivamento da CPI e histórico

Diante da comprovação técnica de que as imagens não correspondiam à realidade e haviam sido manipuladas, diversos parlamentares retiraram o apoio à abertura da investigação, resultando no esvaziamento e posterior arquivamento do pedido de CPI. O episódio soma-se a outros momentos em que o religioso foi alvo de acusações infundadas. Em 2011, um casal foi condenado judicialmente após extorquir o pároco sob ameaça de denúncias falsas. Naquele caso, ficou comprovado pela justiça que os acusados exigiam pagamentos financeiros para não manchar a reputação do padre com alegações inverídicas.

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