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Wagner Moura comenta política migratória dos EUA e temor de detenção

Ator brasileiro discute clima político norte-americano e compara situação com cenário vivido recentemente no Brasil

O ator Wagner Moura, durante a agenda de divulgação internacional de seu novo filme “O Agente Secreto”, concedeu uma entrevista ao jornal El País na última quinta-feira (19). Residente nos Estados Unidos desde 2017, o artista abordou o atual cenário político norte-americano e as políticas migratórias associadas ao ex-presidente Donald Trump. Mesmo possuindo documentação regular para viver no país, o brasileiro expressou preocupação com a atuação das autoridades de imigração e o clima de tensão que afeta estrangeiros na região, destacando que o endurecimento das medidas tem gerado apreensão generalizada.

Ao comentar sobre o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), Moura relatou sentir insegurança diante de possíveis abordagens policiais, citando seu temperamento reativo diante de situações que considera injustas. O ator explicou que o ambiente atual traz riscos reais à integridade física. Em seu relato ao veículo espanhol, ele declarou: “Estamos atravessando um momento muito feio. Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”.

Comparação entre cenários políticos

A conversa também abordou as semelhanças entre a conjuntura política dos Estados Unidos e o período recente vivenciado no Brasil. Wagner Moura traçou paralelos sobre como determinados grupos políticos atuam para desgastar a imagem de setores específicos da sociedade, sugerindo que existe um padrão global nessas ações. Ele afirmou na entrevista: “Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades”.

O ator aprofundou sua análise sobre a estratégia utilizada para transformar a classe artística em alvo de críticas públicas. Para ele, houve uma eficácia de certos espectros políticos brasileiros em criar uma narrativa de antagonismo entre os profissionais da cultura e a população, utilizando argumentos financeiros. Ele pontuou: “A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”.

Influência das redes sociais na política

Por fim, o brasileiro refletiu sobre o papel das plataformas digitais na disseminação dessas ideologias e na polarização política. Ele recordou a percepção otimista que se tinha sobre as redes sociais há uma década e contrastou com a realidade atual, apontando uma aliança entre grandes empresas de tecnologia e movimentos políticos. O ator encerrou o raciocínio avaliando o desempenho de grupos progressistas nesse ambiente: “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”.

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