Gabriela Medeiros desabafa sobre ator em Dona Beja: ‘Transfake’
Artista utilizou as redes sociais para questionar a escolha de elenco e lamentou a escassez de oportunidades para atrizes no mercado audiovisual
A atriz Gabriela Medeiros, conhecida por sua interpretação da personagem Buba no remake da novela ‘Renascer’, manifestou descontentamento publicamente em relação às escolhas de elenco para a produção de ‘Dona Beja’. O ponto central da crítica envolve a escalação do ator Pedro Fasanaro para viver Severina, uma personagem transgênero na trama. Utilizando suas plataformas digitais, a artista classificou a situação como “transfake”, termo utilizado quando atores cisgênero interpretam papéis trans, e levantou um debate sobre a representatividade e a inclusão no setor audiovisual brasileiro.
Em uma sequência de publicações, Gabriela questionou os critérios adotados pela equipe de produção, ressaltando a existência de profissionais qualificadas que não conseguem acesso ao mercado de trabalho. A atriz argumentou que a prática de escalar homens cisgênero para papéis femininos trans ignora o talento disponível e perpetua a exclusão. Ao expressar sua indignação com a escolha feita para a obra, ela declarou: “Sério, galera, não dá pra entender as produções, sinceramente. Muita mina trans aí sem trabalho e muito talentosa, em busca de uma oportunidade. Transfake, gente, em 2026? Poxa vida, hein. Tá faltando atriz trans para interpretar?”.
Cenário difícil na indústria
A artista aprofundou a discussão ao relatar os obstáculos sistêmicos enfrentados pela comunidade na busca por empregos na atuação. Segundo sua análise, há um descompasso entre o que as produções buscam e a realidade das atrizes, criando barreiras onde os perfis ou são considerados muito específicos ou, quando adequados, não são preenchidos por pessoas trans. Diante dessa conjuntura, ela enfatizou a necessidade de atualização por parte dos realizadores: “Gente, eu real não sei o que as produções querem. Porque ou não tem nada que bata com o seu perfil, porque, imagina, é muito específico, né? Ou então tem algo que seja no seu perfil e não te colocam. Galera, pelo amor de Deus, tá difícil real o cenário para pessoas trans dentro dessa indústria. As pessoas precisam se atualizar urgentemente”.
Além das dificuldades técnicas de escalação, Medeiros lamentou a repetição anual dos mesmos debates sem que haja mudanças efetivas na postura de diretores e produtores de elenco. Ela fez um apelo para que os responsáveis pelas contratações reflitam sobre a dignidade profissional e humana, criticando a visão de que tais corpos servem apenas como artifícios narrativos. O desabafo evidenciou o cansaço com a falta de avanços concretos: “Gente, quase todo ano esses mesmos debates, sabe? Tá zoado já isso. Será que os produtores de elenco não buscam pensar um pouco nisso, não? Os diretores, poxa, galera. Reflitam um pouco. Pessoas trans não são corpos apenas para serem caprichos de vocês em produções, não. São corpos reais que merecem mais dignidade nesse ofício”.
Ausência de convites profissionais
Para encerrar seu posicionamento, Gabriela Medeiros esclareceu sua situação atual em relação à carreira, refutando a ideia de que teria optado por se afastar das telas. A atriz explicou que sua ausência em novos projetos não é uma escolha pessoal, mas sim um reflexo direto da falta de propostas de trabalho compatíveis e da escassez de abertura no meio artístico. Ao justificar o momento profissional e reforçar a crítica sobre a dinâmica excludente da indústria, ela finalizou: “Eu não parei, não, gente. Só não tem oportunidade mesmo”.



