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Adesão da Ucrânia à UE: saiba o que impede a entrada imediata do país no bloco

Presidente do Conselho Europeu destaca reformas em Kiev mas reforça necessidade de cumprir critérios oficiais

A União Europeia manifestou o desejo de iniciar “o quanto antes” as negociações formais para a entrada da Ucrânia no bloco. A declaração foi feita nesta quinta-feira por António Costa, presidente do Conselho Europeu, durante uma visita oficial a Oslo. Apesar da intenção declarada de acelerar o processo diplomático, a liderança europeia evitou estabelecer um cronograma fixo ou uma data específica para o começo das tratativas, mantendo a cautela em relação aos prazos de integração e alinhamento político necessários para a efetivação da medida.

Existem especulações sobre datas no cenário internacional, incluindo um plano apresentado pelos Estados Unidos para encerrar o conflito na região, que sugere a admissão de Kiev na UE em janeiro de 2027. Especialistas em geopolítica consideram esse calendário pouco realista. Sobre o tema, Costa afirmou: “Queremos poder abrir formalmente as negociações o quanto antes e avançar no processo de ampliação”. Ele complementou a posição do bloco dizendo: “Não posso dizer se será em 2026, 2027 ou mais tarde, mas o importante é não perder o impulso”.

Reformas ucranianas e exigências do bloco

O cenário geopolítico permanece complexo, visto que a invasão em larga escala realizada pela Rússia completará cinco anos na próxima terça-feira. Essa situação impacta as expectativas de uma integração célere. Mesmo diante das dificuldades, o dirigente europeu elogiou os esforços locais. “É particularmente impressionante que a Ucrânia, apesar da terrível guerra que enfrenta, esteja aplicando as reformas necessárias para se tornar membro pleno da União Europeia”, ressaltou Costa ao abordar o desempenho administrativo do país candidato frente às adversidades.

Ao ser indagado sobre a viabilidade de uma adesão simplificada ou “leve” para Kiev, a resposta foi negativa, reiterando a necessidade de rigor técnico. Costa foi taxativo ao declarar que “Existem regras para o processo de adesão” e reforçou que “Os países candidatos devem cumprir esses critérios”. A referência diz respeito aos critérios de Copenhague, estabelecidos em 1993. Além das exigências técnicas, a aprovação depende da unanimidade dos Estados-membros, ponto em que a Hungria, sob governo de Viktor Orbán, apresenta resistência, embora tenha aceitado o status de candidato em 2022.

Histórico de expansão da União Europeia

O processo de entrada na União Europeia varia significativamente de acordo com cada nação postulante e o contexto político de cada época. O recorde de rapidez pertence à Finlândia, que concluiu a transição entre a apresentação de sua candidatura e a incorporação formal em menos de três anos. Em contrapartida, a Turquia permanece como candidata oficial há quase três décadas, com o processo de integração atualmente congelado. A Ucrânia busca evitar um cenário de estagnação, mantendo o foco nas reformas exigidas enquanto aguarda a formalização das próximas etapas diplomáticas.

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