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Argentina vai parar: sindicatos definem data para greve contra Milei

Maior central sindical do país protesta contra mudanças nas leis trabalhistas propostas pelo governo; medida vale para início dos debates na Câmara

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), reconhecida como a principal central sindical da Argentina, comunicou nesta segunda-feira (16) a realização de uma greve nacional com duração de 24 horas. O movimento tem como objetivo protestar contra o projeto de reforma trabalhista impulsionado pelo presidente Javier Milei. De acordo com a entidade, a paralisação não contará com mobilizações nas ruas e entrará em vigor no momento em que a Câmara dos Deputados iniciar a discussão do texto, o que está previsto para ocorrer antes do encerramento de fevereiro.

O projeto de lei já obteve aprovação preliminar no Senado na última quinta-feira, após o partido governista aceitar negociar diversas modificações na redação original. A administração federal defende a proposta como um plano de “modernização trabalhista”, argumentando que as mudanças são essenciais para atrair novos investimentos e fomentar a criação de empregos formais. O governo destaca a necessidade da medida em um cenário econômico onde mais de 40% da força de trabalho atua sem registro oficial.

Impacto nos direitos e serviços

A oposição peronista e lideranças sindicais contestam a iniciativa, alegando violação de direitos adquiridos. Entre os pontos críticos, está a possibilidade de exigir que setores essenciais mantenham entre 50% e 75% de suas atividades durante paralisações. Rodolfo Aguiar, presidente da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), criticou as restrições impostas à autoridade sindical em disputas e a exigência de permissão para reuniões. Sobre a manutenção mínima de serviços, o sindicalista acrescentou: “A greve perde toda a eficácia”.

Historicamente, as organizações sindicais argentinas possuem grande capacidade de mobilização, interrompendo frequentemente o transporte público, bloqueando atividades portuárias e fechando corredores logísticos vitais. Esse poder de articulação pode paralisar rapidamente os fluxos comerciais do país, que figura entre os maiores exportadores mundiais de alimentos. A estratégia do governo visa justamente limitar esses impactos econômicos durante os conflitos trabalhistas através das novas regulamentações propostas no Congresso.

Compensações e tensão política

Outro aspecto da reforma permite que horas extras sejam compensadas com dias de folga, substituindo o pagamento adicional, embora o governo não tenha divulgado estimativas sobre a economia gerada por essa alteração. O cenário permanece tenso entre o Executivo e as representações trabalhistas. Cristian Jerónimo, líder da federação trabalhista CGT, alertou sobre o futuro das negociações: “Se nossas demandas não forem atendidas, não descartamos uma escalada do conflito”.

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