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Novos documentos do caso Epstein citam políticos, empresários e conexão com o Brasil

Divulgação de arquivos em 2026 traz à tona nomes de líderes globais, detalhes sobre a ilha no Caribe e o aliciamento de vítimas no território brasileiro

O escândalo envolvendo o financista Jeffrey Epstein ganhou novos desdobramentos entre 2025 e 2026 com a divulgação de milhões de páginas de documentos oficiais, impulsionada por uma legislação aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos. Epstein, que iniciou sua trajetória profissional como professor de física e matemática antes de ingressar no mercado financeiro pelo banco Bear Stearns, fundou a J. Epstein & Co. em 1982. A empresa alegava gerir exclusivamente fortunas superiores a US$ 1 bilhão, o que permitiu ao empresário acumular um vasto patrimônio e propriedades de luxo em Nova York, Paris e Flórida, utilizadas para construir uma rede de contatos de alto prestígio.

As investigações apontam que a ilha particular Little St. James, referida pela mídia como “Ilha da Pedofilia”, funcionava como o centro das operações. Epstein e sua colaboradora, Ghislaine Maxwell, recrutavam jovens sob o pretexto de oferecer oportunidades de carreira ou serviços de massagem. Documentos recentes reforçam que os locais eram equipados com sistemas de monitoramento, sugerindo o uso de gravações para chantagem. As vítimas eram transportadas entre as propriedades, onde eram submetidas a situações de violência íntima sistemática. O esquema operava sob uma fachada de exclusividade, atraindo figuras influentes para o círculo social do financista.

**Envolvimento de autoridades e empresários**

A análise dos arquivos trouxe à tona a profundidade das conexões de Epstein com a elite global. Donald Trump foi mencionado mais de 5.300 vezes nos registros, e relatos indicam que ele teria dito à polícia em 2006 que “todo mundo sabia” sobre a conduta do financista. No âmbito político, Bill e Hillary Clinton aceitaram depor após a divulgação de fotos do ex-presidente em aviões vinculados ao caso. O setor de tecnologia também foi citado: e-mails revelaram um contato “cordial e recorrente” entre Elon Musk e Epstein, embora Musk negue irregularidades. Bill Gates, por sua vez, manifestou arrependimento público pelos encontros que manteve com o empresário.

A trajetória judicial de Epstein foi marcada por um controverso “acordo de não-persecução” federal firmado em 2008, após investigações iniciadas em 2005. Na ocasião, ele cumpriu apenas 13 meses em regime semiaberto por acusações estaduais ligadas a atividades de profissional do sexo. A prisão por tráfico sexual de menores ocorreu somente em julho de 2019. Um mês depois, Epstein faleceu em sua cela no Centro Correcional Metropolitano de Nova York. A causa oficial foi registrada como o ato de ter tirado a própria vida, mas falhas nas câmeras de segurança e a ausência de vigilância no momento do incidente continuam a gerar questionamentos sobre as circunstâncias do óbito.

**Conexão brasileira e investigações atuais**

As apurações recentes revelaram que o Brasil também estava na rota do esquema criminoso. Documentos indicam que Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos e parceiro de Epstein, viajou ao país para buscar adolescentes sob a promessa de carreiras internacionais. Estima-se que cerca de 50 brasileiras, muitas vivendo como imigrantes em situação de vulnerabilidade nos EUA, tenham sido vítimas da rede. Com Ghislaine Maxwell condenada a 20 anos de prisão, o foco das autoridades recai agora sobre os facilitadores e clientes. Instituições como o Fórum Econômico Mundial iniciaram auditorias internas devido à menção de seus dirigentes nos arquivos divulgados.

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