UE abre nova investigação contra Google por suspeita de inflar valores de publicidade
Reguladores europeus apuram se big tech aumentou custos em leilões de propaganda de propósito; penalidade pode chegar a bilhões de euros

A União Europeia deu início a uma nova investigação contra o Google, fundamentada na suspeita de que a empresa norte-americana estaria manipulando os preços para a exibição de anúncios em sua plataforma de busca. De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, o bloco econômico acredita que a companhia possa estar elevando propositalmente os valores nos leilões de propaganda, forçando os anunciantes a pagarem quantias superiores às que seriam praticadas em um cenário de livre concorrência. Os detalhes sobre essa apuração foram descritos em uma carta enviada a empresas do setor em 9 de fevereiro, na qual os reguladores explicam que tal prática pode configurar uma violação das leis antitruste.
Se a infração for comprovada pelas autoridades competentes, as consequências financeiras para a gigante da tecnologia podem ser severas. O Google corre o risco de arcar com uma multa que pode atingir até 10% de seu faturamento global anual. O histórico da empresa no continente já é marcado por sanções robustas, acumulando cerca de 9,5 bilhões de euros em penalidades aplicadas pela União Europeia devido a outras questões mercadológicas e disputas regulatórias anteriores. A situação amplia o cenário de tensão entre as grandes plataformas digitais e os órgãos fiscalizadores do mercado europeu.
Pressão regulatória e novas exigências digitais
O processo investigativo atual ainda se encontra em uma fase inicial, mas existe a expectativa de que seja anunciado oficialmente em breve pela Comissária de Competição da Europa, Teresa Ribera. Além deste novo caso envolvendo os custos de publicidade, a empresa enfrenta outros desafios regulatórios na região. Recentemente, o Google recebeu um prazo de seis meses para cumprir determinações específicas, como permitir que outros modelos de inteligência artificial operem no sistema Android e compartilhar dados com buscadores de empresas concorrentes, visando equilibrar a disputa no mercado digital.
A vigilância sobre a big tech não se resume apenas aos anúncios. A corporação também é monitorada por supostamente favorecer seus próprios serviços dentro da busca e por impedir que proprietários de aplicativos exibam ofertas fora da Play Store. Problemas de natureza semelhante surgiram nos Estados Unidos, onde o governo tentou obrigar a venda do navegador Chrome, embora um juiz tenha decidido contra essa medida. Na Europa, as autoridades também investigam se a empresa tem prejudicado a exibição de certos resultados de notícias de forma injusta, mantendo o escrutínio elevado em múltiplas frentes.
Posicionamento das partes envolvidas
Até o momento, tanto a Comissão Europeia quanto o Google optaram por não comentar publicamente sobre a nova suspeita relacionada aos custos de publicidade e à possível manipulação dos leilões. A ausência de declarações oficiais mantém o foco nos desdobramentos técnicos da investigação e na análise dos documentos enviados aos participantes do mercado. O desfecho deste caso poderá estabelecer novos precedentes para a regulação de publicidade digital e para as operações de grandes empresas de tecnologia dentro do território da União Europeia.



