A atitude de Felca após caso do cão Orelha que pode mudar a proteção animal no Brasil
Influenciador busca 200 mil assinaturas para pressionar governo por canal exclusivo de denúncias após repercussão do caso Orelha em Santa Catarina
Nesta quinta-feira (12/2), o youtuber Felca utilizou suas redes sociais para divulgar uma campanha em prol da proteção animal. A iniciativa consiste na criação de um abaixo-assinado com o objetivo de pressionar o Ministério da Justiça a instituir um disque-denúncia exclusivo para casos de maus-tratos. A ação surge como resposta à repercussão do falecimento do cão Orelha, ocorrido em Santa Catarina, e busca facilitar o registro de ocorrências, visto que o influenciador considera os métodos atuais burocráticos e pouco efetivos para garantir a segurança dos animais diante da crueldade humana.
O criador de conteúdo destacou dados alarmantes sobre a situação no país, mencionando que o Brasil possui nota “D” no índice de proteção animal da World Animal Protection, posicionando-se atrás de nações como México e Índia. Segundo Felca, a comoção momentânea nas redes sociais não gera mudanças estruturais se não for convertida em políticas públicas concretas. Ele ressaltou que, atualmente, para efetuar uma denúncia, o cidadão enfrenta obstáculos como a necessidade de ligar para a polícia, registrar boletim de ocorrência e depender de flagrantes ou da viralização de vídeos na internet. “A maioria desiste pelo trabalho que dá, e quem sofre é o animal”, pontuou o influenciador ao criticar o sistema vigente.
Proposta de canal exclusivo e triagem
A sugestão central envolve um serviço telefônico anônimo e disponível 24 horas, inspirado em modelos internacionais de sucesso. O sistema contaria com uma triagem para direcionar as demandas à polícia, serviços municipais ou fiscalização veterinária, dependendo da gravidade, permitindo até visitas preventivas. Para embasar seu argumento, Felca citou o exemplo alemão. “Países como a Alemanha, que criaram o disque-denúncia, viram de duas a quatro vezes mais denúncias. É comprovado: quando denunciar é fácil, a intervenção acontece e as consequências também. O agressor muda o comportamento por medo, não por consciência”, defendeu ele, acreditando que, com essa medida, “absolutamente tudo vai mudar” no cenário de proteção animal brasileiro.
O estopim para a mobilização foi o caso do cão Orelha, que faleceu após ser agredido por adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis. Ao abordar o tema, o youtuber utilizou inicialmente a frase “Já deu de falar do cachorro Orelha. É só um cachorro” como estratégia retórica para captar a atenção do público antes de contextualizar a gravidade dos fatos. Sobre a violência empregada pelos jovens contra o animal, Felca afirmou que “Poupar a dor não era uma prioridade para eles”. Ele também refletiu sobre a importância da indignação coletiva: “É um caso chocante, e é bom que choque. É sinal de que ainda somos humanos e, mesmo com tantas coisas chocantes que vemos por aí, não perdemos a capacidade de sentir!”.
Meta de assinaturas e pressão governamental
Para viabilizar a proposta, a meta estipulada é alcançar 200 mil assinaturas na petição online, número considerado suficiente para levar a demanda ao Ministério da Justiça. O influenciador convocou seus seguidores e outros criadores de conteúdo para compartilharem a ideia, visando transformar a revolta popular em um legado positivo que possa salvar outros animais. A intenção é que o sistema unificado elimine a sensação de impunidade e a dificuldade de registro. Ao encerrar seu apelo pela mobilização da sociedade civil e pela adesão ao abaixo-assinado disponível em seu perfil, Felca concluiu com uma mensagem direta sobre a urgência da ação: “O tempo não precisa ser aliado das pessoas ruins”.



