Tirullipa é processado após comparar funcionário a ministro do STF em vídeo
Trabalhador alega que humorista utilizou sua imagem sem consentimento para explorar polarização política e pede indenização por danos morais
O humorista Tirullipa tornou-se réu em uma ação judicial de natureza indenizatória, protocolada em 17 de janeiro. O processo foi movido por Gustavo da Mata José, profissional que atuou como concierge durante a realização do evento WS On Board 2026, cruzeiro promovido pelo cantor Wesley Safadão. A disputa legal originou-se após o comediante supostamente realizar gravações do funcionário durante o exercício de suas funções no navio, em 14 de janeiro, e divulgar o conteúdo em suas plataformas digitais sem a devida autorização prévia do trabalhador, gerando desconforto e questionamentos legais por parte do prestador de serviços.
De acordo com os autos do processo, o material audiovisual publicado nas redes sociais do artista comparava a aparência física do funcionário à do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Na legenda da publicação, que permanece disponível no perfil do Instagram do réu, o humorista escreveu: “Será que o povo vai se comportar nesse navio? O Safadão amedrontando o povo colocando o Alexandre de Moraes na entrada do check-in do navio dele”. O concierge alega que a exposição indevida ocorreu logo no início das atividades do cruzeiro temático, vinculando sua imagem a contextos políticos alheios à sua função profissional.
Alegações sobre exploração de polarização política
A defesa de Gustavo da Mata José sustenta que a imagem do cliente foi utilizada como instrumento para explorar o atual cenário de polarização política no país. O objetivo da postagem, segundo a argumentação apresentada à Justiça, seria garantir maior engajamento digital e viralização para o perfil do comediante, buscando “hackear o algoritmo da plataforma” e inflamar paixões partidárias. O texto da ação ressalta que o autor, que nunca possuiu histórico de exposição pública, passou a ser associado a uma figura pública que desperta reações intensas na sociedade, ficando vulnerável à hostilidade comum no ambiente virtual.
Diante dos fatos narrados, o funcionário solicitou uma tutela de urgência exigindo que Tirullipa remova imediatamente o vídeo considerado ofensivo de suas redes sociais. Além da exclusão do conteúdo, o processo pleiteia o pagamento de uma indenização por danos morais decorrentes do suposto ilícito praticado. O valor da compensação financeira não foi fixado inicialmente pelo autor da ação, que delegou essa definição ao magistrado responsável pelo caso. A quantia deverá ser calculada com base em indicadores técnicos, como o alcance da publicação, a audiência obtida e o número de compartilhamentos registrados na plataforma.
Andamento processual e decisão preliminar
Até o momento da divulgação das informações sobre o litígio, o pedido de tutela de urgência para a remoção imediata do vídeo foi indeferido pelo Poder Judiciário logo após o início da tramitação. O processo segue em andamento regular, e consta nos registros que o humorista Tirullipa ainda não foi formalmente citado para apresentar sua defesa nos autos. Enquanto a questão legal não é resolvida de forma definitiva, o material questionado pelo concierge continua acessível ao público nas redes sociais do artista, mantendo a exposição que motivou o ingresso da ação judicial por parte do trabalhador do cruzeiro.



