Netanyahu chega à Casa Branca e pressiona Trump por postura firme contra Irã
Líderes debatem acordo nuclear e reconstrução de Gaza em sétimo encontro oficial; Israel busca restrições a mísseis iranianos e novos termos de segurança.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, desembarcou em Washington nesta quarta-feira, 11, para uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A visita à Casa Branca, realizada de maneira mais reservada que o habitual e com entrada longe da imprensa, marca o sétimo encontro oficial entre os dois líderes desde o retorno do republicano ao poder. A agenda principal concentra-se nas complexas tensões geopolíticas com o Irã e nos desdobramentos da situação na Faixa de Gaza, temas que Netanyahu antecipou publicamente como parte de “uma série de questões” prioritárias a serem debatidas diretamente no Salão Oval.
Antes da conferência com o chefe de Estado americano, o premiê israelense reuniu-se na terça-feira com o enviado especial Steve Witkoff e com Jared Kushner. De acordo com informações divulgadas pelo gabinete de Netanyahu, o encontro preliminar serviu para alinhar informações estratégicas, momento em que a dupla “forneceu uma atualização sobre a primeira rodada de negociações que realizaram com o Irã na última sexta-feira”. O governo de Israel busca influenciar os termos de qualquer entendimento diplomático entre Washington e Teerã, insistindo que o foco das tratativas não se restrinja apenas à questão nuclear, mas abranja outras ameaças regionais.
Impasse nas tratativas com o Irã
A expectativa diplomática é que Netanyahu solicite uma postura mais rígida dos Estados Unidos durante as conversas. Antes de partir para a capital americana, o líder israelense declarou: “Apresentarei ao presidente nossa perspectiva sobre os princípios dessas negociações”. Israel defende que um eventual acordo contemple restrições severas ao programa de mísseis balísticos iranianos e o fim do suporte a grupos armados no Oriente Médio. Recentemente, representantes americanos e iranianos dialogaram em Omã sobre limites ao enriquecimento de urânio, o primeiro contato desde o confronto aéreo ocorrido em junho, que resultou em bombardeios a instalações nucleares.
Donald Trump, por sua vez, manifestou otimismo quanto à disposição atual de Teerã, afirmando que o país “deseja muito fechar um acordo”, uma mudança de tom em relação ao primeiro semestre de 2025. No entanto, o presidente americano mantém a pressão militar como alternativa estratégica, tendo ameaçado enviar um porta-aviões adicional à região e adotar uma medida “muito dura” caso as conversas diplomáticas fracassem. A divergência central reside na abrangência do tratado, com o regime iraniano tentando limitar as discussões exclusivamente ao âmbito atômico, enquanto Israel pressiona por um escopo mais amplo.
Estratégias para a reconstrução de Gaza
Outro ponto fundamental da pauta é a implementação da segunda fase do cessar-fogo em Gaza. A proposta em discussão visa transformar o território em uma zona “desradicalizada”, sob supervisão de um novo órgão internacional denominado Conselho da Paz. O plano de desenvolvimento idealizado pela Casa Branca prevê iniciativas para “reconstruir e energizar Gaza” mediante a “convocação de um painel de especialistas que ajudaram a dar origem a algumas das prósperas, modernas e milagrosas cidades do Oriente Médio”. O projeto inclui ainda aspectos comerciais, definindo que “uma zona econômica especial será estabelecida com tarifas preferenciais e taxas de acesso a serem negociadas com os países participantes”.



